Tecnologia

TEVÊ OU COMPUTADOR?

A sensação é de espanto e satisfação nos corredores do escritório central da Philco, em São Paulo. Desde o lançamento do NeTVision, equipamento que permite assistir qualquer canal de televisão e ainda navegar na internet, o vice-presidente da companhia Claudio Vita está envolvido em duas operações. A primeira é uma disputa entre os técnicos da Zona Franca de Manaus, onde está instalada a linha de produção, e a burocracia de Brasília. Cada lado tem uma interpretação própria para o produto. A turma de Manaus reconhece o NeTVision como uma televisão com acesso à rede, o suficiente para garantir a concessão de subsídios oficiais para os fabricantes da ZFM. Na contramão, Brasília entende que o produto é um dispositivo de internet no qual é possível assistir TV, o que iria impedir o acesso aos incentivos. O consenso ainda está longe. Enquanto tenta resolver a questão, Vita se dedica a outra frente que se mostra mais agradável, objetiva e rentável. A Microsoft irá expor o produto no estande que montará em janeiro na Consumer Eletronic Show, a maior feira de eletroeletrônicos para o consumidor final dos Estados Unidos. ?O NeTVision renderá bons frutos locais e em outros mercados?, afirma Emilio Umeoka, presidente da Microsoft Brasil.

O produto foi lançado há duas semanas e colocou a Philco na vitrine das empresas de tecnologia que assumem riscos e investem em pesquisa e desenvolvimento de novos equipamentos. O TV/computador foi apresentado como a primeira iniciativa mundial de convergência entre a televisão e a internet. Sabe-se que existem outras experiências em andamento em outros países, mas o que chama atenção para a Philco é o esforço para montar algo tão inovador sem ajuda externa. Integrante do grupo de companhias do grupo Itaúsa, o mesmo do lucrativo banco Itaú, a Philco levou dois anos e gastou R$ 10 milhões para chegar ao NeTVision. O produto custa R$ 1,6 mil nas lojas e vendeu 200 unidades até agora. A expectativa é chegar ao final de janeiro com 6 mil unidades comercializadas no País. ?Pode ser um produto interessante para quem tem uma necessidade mínima de uso da internet, porque os limites do NeTVision são bem definidos?, afirma o professor Edison Spina, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Os recursos do produto estão muito distantes de um PC tradicional.
Não é possível guardar arquivos, a leitura de e-mails é feita ape-
nas pela rede e a resolução não é a mesma dos monitores utili-
zados nos computadores tradicionais. Vita não esconde o desejo
de atingir o público menos exigente com internet. O NeTVision
tem as dimensões de uma TV de 20 polegadas ? a versão de 29??
será lançada no próximo ano ? e nele é possível acessar a rede através da linha telefônica e de algum serviço de banda larga. A comercialização no Brasil é apenas o primeiro passo de algo
que pode ganhar escala mundial.