Tecnologia

ORACLE DE MÃOS DADAS

O presidente da Oracle no Brasil, Sérgio Rodrigues, trabalha em três turnos desde o início de dezembro. A agenda carregada pelos relatórios que precisa enviar à matriz antes do final do ano está recebendo mais anotações da sua secretária. Rodrigues tenta reproduzir aqui um modelo que a Oracle resolveu expandir em todos os seus mercados. A idéia é se envolver diretamente com os negócios dos seus clientes, em especial as empresas de telecomunicações, e desenvolver produtos em conjunto para usuários finais. Como executivo da multinacional produtora de programas de computador que arquivam e organizam as informações que trafe-
gam nas redes de empresas, ele quer trabalhar a quatro mãos para provar que há uma série de oportunidades lucrativas em torno da infra-estrutura existente na área de armazenamento de dados e
nos softwares que a Oracle vende para seus clientes. ?É possível agregar valor ao modelo tradicional de negócio?, diz Rodrigues. Por exemplo, a atual tecnologia possibilita que um dono de um celular
com câmera faça fotos e as envie diretamente para uma página na rede e ainda dispare e-mail avisando seus amigos sobre o endereço das imagens. Um serviço trivial, mas que não está à disposição de nenhum usuário brasileiro.

É essa realidade que a Oracle quer mudar. Para não ficar falando sozinha quanto à qualidade dos softwares, a companhia decidiu por uma postura mais participativa. No caso brasileiro, a escolha recaiu sobre as empresas de telecomunicações porque se verificou uma potencialidade de negócios maior que em outras áreas. ?Queremos transformar o dado estático em informação e lucro para quem nos contrata?, diz Rodrigues. A postura pró-ativa da Oracle está dando alguns resultados.

Rodrigues esteve com executivos das maiores operadoras e apresentou sua estratégia. Alguns irão incluir esse novo modelo em seus planejamentos de 2004. O discurso está sendo bem recebido, principalmente na área de telefonia fixa, que vive a pressão do crescimento da base de usuários de celulares. ?É possível otimizar muito espaço em rede, especialmente com serviços de banda larga?, diz o analista de telecomunicações do Unibanco, Edigimar Maximi-
liano. Essa é aposta da Oracle para 2004.