Tecnologia

A PARANÓIA DO E-MAIL

Há uma paranóia corporativa em relação ao e-mail. Depois que juízes americanos e brasileiros passaram a usar mensagens eletrônicas de funcionários de empresas envolvidas em processos como evidência, companhias em todo o mundo passaram a tomar medidas que parecem extremas. Há casos de funcionários que estão sendo estimulados a fazer cursos de boas maneiras para enviar e receber mensagens pelo correio eletrônico. Em aulas semanais ou palestras curtas, empregados novatos, diretores de pequenas e grandes companhias estão aprendendo como evitar que informações confidenciais apareçam na imprensa ou parem nas mãos dos concorrentes. No banco de investimentos americano Merril Lynch, os treinamentos viraram rotina para mais de 50 mil funcionários no mundo. A empresa se tornou alvo de processos judiciais ao longo do último ano. Motivo: os conselhos de seus analistas não coincidiam com os relatórios oficiais da companhia. ?Pedimos desculpas pela falta de profissionalismo em alguns e-mails internos escritos por alguns analistas que cobrem as empresas de internet?, escreveu o presidente do banco, Santley O?Neal, em dezembro do ano passado em um e-mail reservado.

Destinado aos próprios funcionários, o texto rapidamente caiu no site Internal Memos (www.internalmemos.com), de Jerry Springer, conhecido pela polêmica causada após montar um serviço de notícias on-line sobre problemas em companhias de internet. O Internal Memos, que se propõe a ser ?a maior coleção de memorandos corporativos e comunicados internos?, transformou o terror psicológico em negócio. Enquanto o e-mail de O?Neal pode ser lido sem qualquer ônus, o usuário que quiser ler mensagens mais comprometedoras tem de pagar uma mensalidade de US$ 45 para ter acesso ilimitado a todos os textos. E não adianta mandar os funcionários apagar as mensagens. Elas sempre poderão ser resgatadas por empresas especializadas em ?recuperação de desastres?, que acham o e-mail mais insignificante em meio a fitas de back-up, que copiam os arquivos corporativos de tempos em tempos.

No Brasil, o clima ainda não é de pânico, mas há empresas tomando muito cuidado no uso de e-mails pelos seus empregados. É o caso do escritório de advocacia Tozzini, Freire, Teixeira e Silva. Por ter grandes companhias como clientes, a companhia transmite para seus empregados uma rigorosa cartilha de usos de e-mail, chamada internamente de ?netiqueta?. ?Esse tipo de preocupação é essencial na área jurídica porque trabalhamos com informações muito confidenciais?, diz Claudio Wilberg, diretor de tecnologia do escritório. ?Nossa credibilidade depende disso.? Mesmo fechando o cerco ao e-mail outras portas estão sendo abertas e o perigo de disseminação de informações secretas fica mais amplo. São os programas de mensagens instantâneas que são oferecidos por Yahoo, MSN e AOL. ?Com eles, um funcionário pode enviar um arquivo que está na rede central da empresa para uma lista de pessoas no mundo todo em segundos?, diz Alexandre Tabuchi, advogado especialista em internet da Menezes e Lopes, de São Paulo. ?E é muito difícil rastrear uma mensagem de um programa desses do que um e-mail.?