Tecnologia

IBM NAS MÃOS DE SAM

É complicado substituir o salvador da pátria, mas alguém tem de fazê-lo. Na IBM, essa missão espinhosa está nas mãos do americano Samuel Palmisano, 51 anos. Ele tornou-se presidente mundial da International Business Machine em março do ano passado e em janeiro deste ano assumiu o controle absoluto com a saída de Louis Gerstner da presidência do conselho de administração. Em nove anos, Gerstner salvou a IBM da ruína. Ao assumir a companhia em 1993, o faturamento era de US$ 64,5 bilhões, mas o prejuízo estava em US$ 8 bilhões. Na época, a IBM era uma marca sem auto-estima, com oxigênio acabando e à beira do abismo. Primeiro presidente de fora dos quadros da empresa, Gerstner impôs seu ritmo. Os softwares e os hardwares
perderam importância e a IBM se transformou em uma empresa
de serviços de tecnologia. As mudanças significaram a demissão
de 35 mil funcionários, o fechamento de fábricas e a completa reinvenção do negócio, mas o lucro voltou e o faturamento é hoje
de cerca de US$ 86 bilhões. Gerstner se tornou uma lenda do
mundo dos negócios.

Essa é a herança de Palmisano. Ele acompanhou tudo de
perto e foi um dos sobreviventes dos tempos negros da empresa. Agora, sentado na cadeira de presidente do conselho de administração, pouco deve mudar. Palmisano vai acelerar o motor, mas os princípios de seu antecessor devem permanecer. A IBM busca ser hegemônica no seu mercado. Da sua receita, 41% chega da área de serviços. É assim que a companhia quer continuar. Crescendo nesse mercado. A compra no ano passado da consultoria PricewaterhouseCoopers por US$ 3,5 bilhões e a recente aquisição da empresa de software Rational provam que a visão de Gerstner continuará prevalecendo na era Palmisano. A IBM quer tudo para si. Palmisano é o homem que pretende liderar essa corrida. Ele entrou na empresa em 1973 como estagiário, ocupou funções executivas e chegou ao centro do poder por sua capacidade de fazer as apostas certas no momento mais adequado.

Elogio. Foi dele a idéia, em 1999, de a companhia investir
no Linux quando poucos acreditavam na sua viabilidade frente ao Windows, o sistema operacional da Microsoft. Palmisano
convenceu a todos que o software poderia render bons dividendos para a empresa no mercado corporativo. A decisão está se mostrando acertada no atual momento do mercado mundial de tecnologia, no qual as companhias fazem todos os tipos de estudos para reduzir seus custos com software e buscam serviços. ?Sam (como o atual presidente é conhecido) reúne visão estratégica, paixão e disciplina. Tudo combinado com um profundo entendimento da IBM?, disse Gerstner em janeiro do ano passado, ao anunciar o nome do seu sucessor.

Apesar da proximidade entre os dois executivos, acentuada nos últimos tempos, Gerstner não é o ídolo de Palmisano. O novo presidente da IBM se espalha em outro mito do mundo dos negócios dos Estados Unidos, o fundador da rede de varejo Wal-Mart, Sam Walton, e a sua obsessiva atenção ao cliente. Palmisano encontrou Walton uma única vez, mas teve tempo suficiente de obter algumas aulas do mestre. De origem católica em um país de maioria protestante, o novo comandante da IBM adota o estilo popular e gosta de se relacionar com os empregados, ao contrário de Gerstner que era mais reservado. Ele também detesta reuniões prolongadas e costuma cobrar rapidez nas decisões dos seus subordinados. Outra vantagem é o seu profundo conhecimento do mundo IBM. É assim que ele pretende garantir seu lugar na história da companhia.