Tecnologia

COMÉRCIO ELETRÔNICO: QUEM FICA NESSE JOGO?

Quando as vendas na Internet começaram, há quatro anos, muita gente achou que tudo seria um grande fiasco. O brasileiro, dono de uma herança rica de contato social, não se adaptaria à frieza das transações à distância, como as vendas por catálogo e pela Internet. Não é o que está acontecendo. Já existem no País mais de 800 sites de comércio eletrônico e, segundo o instituto de pesquisas IDC, eles cresceram quase 60% no volume de vendas nos últimos 12 meses. ?Sem dúvida o comércio eletrônico vai dar certo. Há uma grande capacidade de gerar bons negócios?, diz Marcos Wettreich, presidente do iBest Company, que faz pesquisa na rede e premia os melhores sites. A capacidade de ter sucesso, contudo, não está ligada somente ao aumento das vendas. Ela depende fundamentalmente do fôlego das empresas para enfrentar uma acirrada disputa de mercado. De acordo com um relatório do Boston Consulting Group, os 20 maiores sites na América Latina abraçam 73% do total de vendas on-line. ?Os pequenos vão ter dificuldade para sobreviver fora dos nichos de mercado?, diz André Sapoznik, presidente da e-Bit, entidade que acompanha os hábitos de usuários na rede. Para os analistas, há sites em demasia no mercado latino-americano. Eles utilizam a expressão ?o vencedor leva tudo? para ilustrar a aspereza da luta no universo pontocom.

Essa conflagração corpo-a-corpo pelos consumidores virtuais não é o mundo de sonhos das empresas pontocom, mas é infinitamente melhor do que a inexistência de interesse pelo comércio na rede. ?A competição é dura, mas temos oportunidades enormes?, diz Antonio Bonchristiano, presidente do Submarino.com. Seu site comemorou um ano de vida em novembro e é o alvo preferencial das previsões pessimistas do mercado. O empreendimento depende de dois aportes de capital até atingir o azul, que está previsto para o final de 2002. Bonchristiano se diz confiante: ?Os investidores sabem que temos um bom negócio e estão firmes conosco.? Quando se olha o cenário ao redor, em plena expansão, é fácil ser otimista. Já há, no Brasil, até mesmo empresas exclusivas de vendas à distância, como o Shoptime. A companhia vende pela TV, por catálogos impressos e pela Internet. ?O faturamento de R$ 45 milhões no ano passado subiu para R$ 75 milhões este ano?, diz Bebel di Cielo, diretora de Internet da empresa. ?Esse serviço não existia antes porque imprimir catálogos com uma inflação alta era impraticável. Agora o brasileiro está provando que é rápido em assimilar novos hábitos.?

A mina de dinheiro, embora não seja ainda um grande Eldorado, acabou levando portais como Terra, UOL, IG e Cidade Internet a abrirem shopping centers virtuais. Em cda uma das vitrines dos sites vendem-se produtos de dezenas de lojas de comércio eletrónico. ?Não estou esperando um retorno financeiro muito alto este ano?, diz Paula Sotto Maior, diretora de negócios do Cidade Internet, que estreou o shopping em julho. ?Mas em 2001, quando teremos um serviço mais sofisticado, quero um retorno mais significativo.? A página, ainda muito nova, conta com 20 vendedores e quer ganhar outros 20. O shopping do UOL, que existe há mais de dois anos, tem 40 lojas e quer chegar em 265. ?É um crescimento absurdo. As pessoas estão cada vez mais conscientes de que comprar na rede é maravilhoso?, diz Alexandre Hohagen, diretor de e-commerce e publicidade do UOL. ?Quem faz negócios na rede não encara filas nem pega o trânsito.?

Enquanto o mercado parece se mover na direção certa, subsiste uma grande tensão na relação entre empresas virtuais e os donos do dinheiro. Todas as pontocom tiveram que fazer um investimento elevado em tecnologia e marketing. Nos casos de companhias que já estavam estabelecidas no mundo real ? como Ponto Frio, Americanas e Pão de Açúcar ?, o investimento foi feito com recursos do próprio grupo, sem criar dependência externa de capital. Já os negócios puramente virtuais, que não têm um pé no mundo real, estão sendo obrigados a gastar muita saliva para provar continuamente, a investidores cada vez mais céticos, a viabilidade do próprio modelo. Como não possuíam capital próprio, eles engoliram gordas cotas de dinheiro de capitalistas de risco. Agora, o medo geral é de que esses investidores mudem de idéia e retirem a sonda que está mantendo vivos vários empreendimentos da Internet. Essa atitude tem antecedentes: os sócios da família Safra se negaram a colocar mais dinheiro no Super11, que quebrou em setembro passado. Os banqueiros argentinos do Exxel, que apostaram milhões na rede, também avisaram que querem se retirar do site de finanças Latinstocks, que já teve sua falência pedida.

A debandada deixou os sites puramente virtuais numa situação incômoda. O Fera.com, por exemplo, recebeu há três meses uma injeção de US$ 24 milhões de um grupo mexicano. O montante é menor que o recebido em fevereiro pelo seu maior concorrente, o Submarino, que levou US$ 71 milhões. Ambos vão precisar de mais capital. ?Estamos sempre trabalhando para receber novos aportes?, conta Claudio Laniado, presidente do site. Ele é realista quando fala dos enfrentamentos que estão ocorrendo no mercado pontocom: ?Não há espaço para todos?, diz ele. Mas acredita que a situação estará mais favorável em 2003. É nesse ano que, segundo Laniado, grande parte dos milhões de dólares investidos na Internet serão justificados. ?Hoje temos menos de 5% dos brasileiros comprando na rede. É natural que todos estejam tendo prejuízo.?

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