Tecnologia

O BOM NEGÓCIO MP3

Puxar uma música pela Internet, arquivá-la no computador, repassá-la a um gravador de CD e ouvi-la num walkman. Toda essa trabalheira pode levar mais de meia hora e parece um tremendo desestímulo para os aficionados da música pela rede mundial de computadores. Dados da consultoria norte-americana Jupiter Communicator indicam, no entanto, que os mercados de MP3 ou Windows Media Player, os mais famosos formatos de músicas pela Internet, irão explodir nos próximos anos: os US$ 300 mil faturados em 1999 nos EUA deverão saltar para US$ 146 milhões em 2003. O que vai equivaler a 6% do faturamento de toda a indústria fonográfica daquele país. Com essas boas perspectivas, os nerds brasileiros também se preparam para tentar ganhar seus milhões nos próximos anos. ?Uma das vantagens de baixar músicas pela Internet é a comodidade. O usuário senta na poltrona e acompanha o processo de gravação?, diz Alexandre Agra, sócio do IMúsica, primeiro e atualmente único site do Brasil a vender músicas no formato Windows Media Player (WMP).

Instalado no seu escritório em Ipanema, no Rio, Agra oferece atualmente um catálogo de 2 mil músicas virtuais de artistas de gravadoras independentes como Natasha e Nikita. Cobra R$ 1,80 por faixa e conta atualmente com 12 mil clientes. Quer dar o grande salto no negócio no ano que vem, quando planeja abocanhar contratos com as grandes gravadoras: ?Já temos acordos para pagar os direitos autorais. Cerca de 25% da receita da IMúsica vai para os artistas e seus representantes.? Agra não divulga o faturamento, mas se cada um dos seus usuários baixasse uma faixa por mês, a receita bruta giraria hoje em torno de R$ 26 mil. O valor deve aumentar mais no ano que vem, quando mais 4 mil músicas serão incluídas no catálogo. Não é à toa que o BNDESpar, braço de investimentos do BNDES, e o banco Dínamo, aceitaram entrar como sócios do empreendimento.

A resistência das gravadoras contra a música pela Internet começa a cair, mas foi um processo difícil. O ápice dos desentendimentos ocorreu em meados de 2000, quando a Justiça americana determinou que a Napster, a companhia do garoto-empresário Shawn Fanning, de 19 anos, fosse fechada. Ao criar um programa que permite baixar músicas do computador de qualquer um dos seus 38 milhões de associados espalhados pelo mundo, Fanning conquistou a admiração dos fanáticos de música e o ódio da indústria fonográfica. Depois da decisão judicial, a Napster deu a volta por cima ao fechar acordo com a alemã Bertelsmann, proprietária da gravadora BMG. A companhia de Fanning passará a pagar também direitos autorais de cada música transmitida pela rede, o que abriu uma brecha para os entendimentos com outras gravadoras.

Uma das vantagens que os sites especializados em MP3 ou WMP declaram ter frente à Napster, no entanto, é o serviço 24 horas. A fórmula de Fanning não consegue isso hoje, pois depende de uma rede de computadores privados. Se um deles estiver desligado, fica impossível acessar a música. ?Na nossa empresa, não importa a hora do dia ou da noite, os clientes podem baixar as faixas que quiser, pois elas estão instaladas nos computadores do nosso provedor?, explica Marcelo Justa, sócio do site MP3Clube, de São Paulo. A empresa possui atualmente 500 músicas no catálogo e registra 45 mil cópias por mês. Hoje tudo é de graça, com o consentimento das gravadoras e dos artistas, a maioria independentes. A partir de fevereiro, porém, passará a ser cobrada uma taxa de cerca de R$ 10 por um pacote de 15 músicas. A meta de Justa é atingir 100 mil associados até 2003. Se cada um baixar ao menos um pacote por mês, o faturamento poderá chegar a R$ 1 milhão por mês. Nada mal para quem aluga apenas três salas de um prédio próximo à Avenida Paulista. O MP3Clube garante que irá pagar 47% da receita em direitos autorais. Nos próximos anos, no entanto, pode surgir uma briga de mercado entre os sites e as lojas de CDs, que podem combinar em um único disco faixas de obras diferentes. Lojas da Fnac em Paris, por exemplo, já oferecem esse serviço. Isso é mais barato que baixar música na rede, pois dispensa os computadores. Alexandre Agra, da IMúsica, não se assusta com essa possibilidade: ?Trabalhamos em meios diferentes de compra de música. A Internet será um instrumento de estímulo do consumo?.

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