Tecnologia

BANDA LARGA

A velocidade é uma ordem no mundo moderno. Empresários, profissionais liberais, donas de casa, ninguém tem tempo a perder. Na Internet não é diferente. Ninguém gosta de esperar demais para conseguir ligar-se à rede, nem perder tempo para baixar um arquivo de áudio ou vídeo. Remédio para isso já existe: é a banda larga, broadband em inglês. Por ela, os dados são transmitidos a uma velocidade até cem vezes maior do que na rede convencional, uma inovação que permite acessar dados, sons e imagens instantaneamente. Parece um mundo virtual inteiramente novo, no qual é permitido assistir a filmes inteiros, salvar no computador arquivos gigantescos em poucos minutos e participar de videoconferências. A banda larga, porém, é um salto tecnológico que custa caro, muito caro. Estima-se que no mundo todo as empresas estejam destinando cerca de US$ 150 bilhões para interligar o planeta em redes ópticas de grande velocidade. No Brasil, as cifras de cabeamento são bem mais modestas, em torno de US$ 2 bilhões. O retorno é de longo prazo, entre sete e dez anos, e o número de assinantes para os serviços rápidos bastante limitado. Mas esse não é um problema exclusivo do Brasil, onde existem cerca de 50 mil assinantes. Nos Estados Unidos, menos de 6% das famílias que usam Internet têm acesso rápido. Na Inglaterra, apenas 1%.

Nem por isso os investidores estão desanimados. Segundo pesquisa do Yankee Group, o mercado brasileiro de transferência de dados e acesso à Internet em alta velocidade deverá crescer três vezes já no próximo ano, movimentando cerca de US$ 300 milhões. Isso levando-se em conta apenas os assinantes residenciais. Somando ainda a parte das empresas, o número deverá chegar à casa dos US$ 3 bilhões. Os provedores de acesso já começam a detectar o que os institutos de pesquisa profetizam. Em outubro deste ano, a Telefonica teve de suspender por um mês a instalação das conexões rápidas em São Paulo: não estavam conseguindo atender tantos clientes. A central de atendimento do provedor Vírtua, da Globocabo, também vive congestionada. O tempo de espera pode chegar a 35 minutos. Mas não é necessariamente culpa das empresas. A expansão do número de assinantes depende do fornecimento de equipamentos que ligam a linha telefônica, ou o cabo da tevê, ao provedor de acesso à Internet. Esses materiais são fornecidos por empresas estrangeiras que zeraram seus estoques só para atender os Estados Unidos. E lá a situação não é diferente, a fila de espera também é grande.

Como os provedores em geral estão longe da casa dos assinantes, não há outra maneira de agilizar o acesso à Internet a não ser aumentar a velocidade de conexão. Mesmo assim, os provedores não podem garantir que ela seja uniforme. ?Garantimos acesso rápido dentro de nossa rede. Fora dela é a velocidade da Internet?, diz José Carlos Alves, diretor do Ajato, provedor da TVA. Seria como dirigir em uma avenida larga e, de repente, ter de pegar um desvio numa rua pequena cheia de carros. ?A velocidade é alta nessa avenida larga, aberta por nós. O desvio não faz parte da nossa rede. Ali é a Internet convencional.? Para transmitir em alta velocidade, o Ajato investiu US$ 30 milhões na expansão da rede este ano e vai desembolsar mais US$ 15 milhões no próximo ano. Espera com isso dobrar o número de clientes de 12 mil para 30 mil. Além do acesso rápido, que acaba com o tempo de espera na hora de baixar arquivos pesados, há outro atrativo nesse negócio. Não se paga mais pelo tempo de conexão. Ou seja: na conta telefônica não aparece nenhum centavo a mais referente à ligação até o provedor. Melhor: a linha telefônica fica sempre livre para fazer e receber chamadas mesmo com o computador conectado à Internet vinte e quatro horas por dia. ?Essa vantagem também nos permite ganhar mais clientes?, diz Daniel Klinger, diretor do Vírtua, provedor que oferece acesso rápido via cabos de televisão da NET. É por isso que os três maiores provedores desse mercado ? Telefonica, Ajato e Vírtua ? esperam chegar até o final do próximo ano com cerca de 300 mil clientes. Será ainda menos de 1% de todos os internautas do País, mas, de novo, isso dependerá da expansão da rede de transmissão de dados, seja cabo de televisão, linha telefônica ou fibras ópticas.

O problema da falta de dutos virtuais também atrapalha a produção de conteúdo para a banda larga. ?Não dá para ter total qualidade de vídeo?, diz Sérgio Mota Melo, diretor da TV1, uma empresa que há quinze anos produz filmes comerciais e conteúdo para Internet. A previsão de faturamento este ano é de cerca de US$ 6 milhões, o dobro do ano passado. Em janeiro lançam a Turma do Chiquinho, uma série de programas educativos curtos voltada para o público infantil, que será a atração do portal Globo.com. Terá duas versões, uma para banda larga e outra para a estreita. ?Ainda não dá para desenvolver conteúdos só em alta velocidade porque limita muito o nosso público?, diz Mota Melo. Mesmo com as barreiras técnicas, os principais portais do País investiram pesado para lançar produtos nessa linha.

O Universo Online, maior deles, contratou o jornalista Paulo Henrique Amorim para comandar o UOL News, um serviço com notícias dirigidas para economia e política. Segundo Caio Túlio Costa, diretor do UOL, em quatro meses a audiência do jornal saltou de 1 milhão de page views (páginas vistas na Internet) para 4,5 milhões. ?O jornal já se paga só com a verba dos anunciantes?, diz ele. O portal Terra contra-atacou com a estréia de Lilian Witte Fibe, que comanda um jornal on-line com uma média mensal de 2 milhões de page views. Segundo Sandra Pesci, diretora de conteúdo do Terra, a boa audiência desses programas está aumentando a fatia do bolo publicitário destinado aos portais. Essa parcela deve fechar este ano em US$ 6 bilhões, mais que o dobro do registrado no ano passado. Há várias razões que explicam a boa audiência desses jornais. Primeiro, os portais gastaram os tubos para contratar jornalistas que garantiam boa audiência nos canais de televisão. Outro motivo é a novidade de se ver na Internet um programa que tem um formato muito parecido ao da tevê. ?Estamos assistindo a uma fase tecnológica em que a Internet está trazendo a televisão para dentro de si?, diz Paulo César dos Santos, gerente de vendas da Microsoft, fabricante de um dos softwares que permitem assistir a programas como esses. Mas ainda há restrições. A velocidade de transmissão em toda a rede ainda não permite editar o jornal com várias imagens em movimento, como se faz na tevê. ?Em compensação, existe a interatividade, que não é possível fazer na televisão?, diz Lilian Witte Fibe. As próprias emissoras já estão antenadas para oferecer programas pela Internet. ?Elas pensam em oferecer pacotes em que o próprio assinante monte sua grade de programas?, diz Santos, gerente da Microsoft. A tecnologia para isso já está disponível, resta saber quem vai pagar a conta.

Os provedores brasileiros já fazem figa para que esse nó seja desatado. Afinal de contas, existe uma fila grande de indústrias e companhias que precisam trocar informações rápido. Elas é que fazem girar a máquina registradora das companhias que vendem acesso rápido. ?Bancos, seguradoras e financeiras precisam trocar dados em tempo real?, diz Cláudio Baumann, vice-presidente da AT&T no Brasil, que vende sistemas de comunicação de dados em banda larga, só para empresas. ?Não atendemos mais clientes porque não é simples, nem barato, nem tão rápido ampliar a rede de fibras ópticas.? Há três meses operando no País, o grupo americano investiu cerca de US$ 50 milhões em cabeamento e já interligou oito das mais importantes capitais do País. O volume de negócios com transmissão de dados cresceu tanto que, para cada US$ 10 faturados pela AT&T, US$ 6 saíram da venda de serviços em alta velocidade. No ano passado, quando ainda não atuavam no Brasil, essa proporção era de US$ 10 para US$ 4.

É um bom sinal. Quanto mais as empresas de infra-estrutura apostarem no mercado brasileiro, mais aumenta a rede de cabeamento, a base de clientes expande-se e, mais à frente, criam-se condições para que o preço dos serviços caia. Por conta dos investimentos programados para os próximos três anos, o Yankee Group estima que o preço do acesso à rede de alta velocidade baixe 25% a cada ano. Os provedores acreditam que isso não vá acontecer tão cedo. ?Não dá para derrubar preço sem ampliar a base de clientes?, diz Vladimir Barbieri, diretor de negócios da Telefonica. Hoje para se ter acesso à rede a uma velocidade de 512 kilobites por segundo, cem vezes superior a da rede tradicional, paga-se de R$ 300 a R$ 400 por mês. Para uma velocidade de 256 kilobites por segundo, dez vezes maior que a da rede comum, a mensalidade varia entre R$ 45 e R$ 80. Uma das saídas encontradas pela Telefonica para ampliar a rede sem precisar investir tanto foi dividir a linha telefônica em duas (uma para voz e outra para dados), ligando-as por modems até o provedor de acesso à Internet. ?É o que multiplica a velocidade de transmissão de dados?, diz Barbieri.

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