Tecnologia

O Azul não é virtual

Cumprindo uma promessa feita em julho deste ano, Sylvio Alves de Barros Netto, presidente do site WebMotors, acaba de anunciar o que toda empresa de Internet sonha fazer um dia: a companhia fechou suas contas do mês de novembro com lucro. O dinheiro que entrou no site nesse mês, na forma de propaganda e serviços, foi maior do que as despesas. No linguajar da Nova Economia, é o que se apelida de break even ? um empate técnico entre os ganhos e as perdas do mês. ?Fizemos isso para que todos saibam que o WebMotors existe de verdade e é um negócio viável?, diz Netto. Ele espera ter prejuízos intermitentes até março, quando as contas se estabilizarão definitivamente. Mesmo assim, está a poucos metros de uma situação confortabilíssima ? o WebMotors não precisa pedir mais capital de seus dois investidores, o GP Investimentos e o Chase Capital. ?É o que todo investidor quer?, afirma Luciana Hayashi, analista de Internet do Yankee Group. ?Quando a rede ainda era nova, eles colocavam dinheiro sem saber ao certo como mediriam os resultados. Agora estão mais escaldados. Todo mundo desesperado para mostrar números bons.? Nem todo desespero dá resultado. O lucro do WebMotors é o primeiro registrado entre os grandes sites brasileiros voltados para vender produtos e serviços ao consumidor final. Antes deles, teve lucro numa área vagamente parecida o site de busca Cadê, que não vendia absolutamente nada.

Há cerca de um ano, quando o GP entrou no negócio, a previsão de atingir o céu azul estava agendada para março de 2001, mas um acordo inesperado com o Itaú precipitou as coisas. O WebMotors desenvolveu o ItaúMotors, em que os correntistas podem vender, comprar e financiar veículos. São parcerias como essa que trazem a maior parte da receita do site. Quando começou, em 1995, o site se limitava a um catálogo de modelos. Com a vinda dos sócios endinheirados, a trajetória mudou. ?Hoje, mais do que rifar espaços no site, nós montamos soluções para as empresas?, conta Sylvio. Aproveitando-se da sua base de 400 mil usuários cadastrados, o site disponibiliza seguros, venda de peças e de carros e financiamentos. E ganha dos provedores desses serviços. A guinada trouxe um movimento de R$ 33 milhões em 2000 e a receita foi 20 vezes maior que a do ano anterior. ABN, Citibank, Tecnomotor, Banco Panamericano e Dana autopeças também estão com o site. Outros 20 estão conversando com Netto: ?São contratos de longo prazo, que nos dão segurança. Até março, esperamos assinar mais dois e ganharmos a estabilidade que todos querem.? As cifras não vão pagar o investimento, que superou US$ 14 milhões, mas vão colocar ordem nas contas mensais.

Além de turbinar as receitas, o Webmotor precisou ainda ser mais econômico. No começo deste ano, o site cancelou um investimento de US$ 1 milhão na Argentina e US$ 2 milhões no México. Os gastos de marketing, tidos como fundamentais para que os internautas conheçam a marca, tiveram um decréscimo de 70%. A forma de propaganda mais utilizada atualmente são e-mails. Com isso, o custo para adquirir um novo usuário despencou de R$ 20 para R$ 0,50. A prática ousada está fora de cogitação para boa parte das empresas desse tipo. ?Novos consumidores devem entrar na rede nos próximos anos, e o marketing é a forma de dizer a ele que nós existimos?, diz Maurício Miyake, presidente do concorrente Autoplaza. ?Não posso deixar de investir em marca porque eu preciso desenvolver o meu mercado?, conta o diretor-geral do Arremate no Brasil, Otávio Cury. Ele reconhece que ações desse tipo dependem muito do que se combinou de antemão: ?Faz muito sentido entregar ao investidor o que se promete.? Quem disse que teria lucro vai ter que se arrumar.

Talvez a maior diferença entre o WebMotors e os demais sites seja apenas uma questão de idade. Enquanto que o Autoplaza, por exemplo, tem oito meses de vida, o portal de Netto já acumula cinco anos. ?Quem está no mercado há mais tempo tem que se mostrar mais produtivo do que quem entrou há um ano?, diz Gustavo Viberti, da Cadepar, no Rio de Janeiro. Viberti e seu sócio Fábio de Oliveira foram os primeiros a gozar a sensação de ver a cor do dinheiro na Internet brasileira. Eles criaram o Cadê, maior site de busca em português, e atingiram o equilíbrio contábil ainda em 1996. ?A Internet, como qualquer outro negócio pode, e deve, dar lucro?, ressalta Oliveira. Se o WebMotors continuar acelerando, Netto poderá se juntar aos dois cariocas e entrar de uma vez por todas no clube ultra-restrito dos que já lucraram com o ?pontocom?.

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