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Toma lá, dá cá

Bilionários como Luiz Barsi alugam ações para turbinar os ganhos. Conheça as vantagens dessa prática

O bilionário e mega investidor Luiz Barsi possui uma fatia de 13,56% do capital da Eternit. Ele ingressou na companhia quando houve a cisão, em 2004, entre a Eternit e a francesa Saint-Gobain, dona da concorrente Brasilit. De lá para cá, Barsi teve motivos de sobra para comemorar. Se naquela época a empresa faturava R$ 560 milhões, hoje fatura R$ 1,2 bilhão. As ações, por sua vez, valorizaram 645%. Contudo, no dia 15 de agosto, a maré mudou e, em dois dias, as ações caíram 9,65%. O motivo, segundo analistas, foi a decisão da 9ª Vara do Trabalho de São Paulo de que a Eternit deve arcar com as despesas de assistência médica dos ex-empregados da unidade de Osasco (SP), por conta das complicações do uso do amianto, consideraado cancerígeno. 

 

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Luiz Barsi: um dos maiores acionistas da Eternit, ganhou quando a cotação das ações

caíram 9,65%, em apenas dois dias

+ Elon Musk ultrapassa Mark Zuckerberg e entra para top 3 bilionários

 

O mineral é a principal matéria-prima na fabricação de telhas e caixas d’água de fibrocimento, carro-chefe da empresa até hoje. Além disso, a Justiça avalia a aplicação de uma multa de R$ 1 bilhão, por danos morais coletivos. O que fez Barsi? Ganhou dinheiro alugando dez milhões, dos 12,14 milhões de ações que possui. Em troca, recebeu um rendimento fixo (no final de agosto, a taxa média do aluguel da Eternit ON na BM&FBovespa estava em 0,77% ao ano). “É uma pequena forma de ganhar dinheiro”, diz. Além dele, o também bilionário Victor Adler disponibilizou 1,71 milhão de ações da mesma companhia para aluguel. Alugar ações consiste em emprestá-las para outros investidores por um período definido, em troca de um rendimento fixo, com a garantia de devolução ao final do contrato. 

 

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A Eternit pode ter de pagar R$ 1 bilhão por danos morais coletivos. Além de arcar

com assistência médica dos ex-empregados da unidade de Osasco (SP)

 

Especuladores que apostam na queda das ações tomam-nas emprestadas e as vendem em seguida, para comprá-las mais barato depois e, assim, ganharem com a diferença. Trata-se de uma operação segura para o doador — nome dado ao locador —, uma vez que a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) garante que os títulos sejam devolvidos ao legítimo dono após o período de aluguel. Para o doador, não há custos, somente receitas. Em média, a taxa é de 6% ao ano, o que pode dobrar o rendimento de uma carteira com proventos (dividendos e juros sobre o capital). “Existem três formas de ganhar dinheiro com ações: na compra e venda, com dividendos e com o aluguel”, diz Gabriel Boselli, da área de análise da XP. 

 

O rendimento da locação é pago já líquido de IR, que é cobrado como nas aplicações de renda fixa. O aluguel pode acontecer de duas formas. A primeira é alugar as ações por um período determinado. Nesse caso, o dono do papel não poderá solicitar a devolução dos ativos para negociação em caso de grandes oscilações, por exemplo. A segunda é por tempo indeterminado, no qual o locatário pode pedir a devolução antecipada. Para Leonardo Milani, estrategista da Santander Corretora, o aluguel sempre é vantajoso aos investidores que montam carteiras em que os papéis serão mantidos por mais de um mês em carteira. Os proventos, inclusive, são mantidos em seu nome durante o contrato. 

 

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“O locador não perde nenhum direito de remuneração e turbina seus rendimentos”, diz. “Para quem compra ações para aposentadoria, essa estratégia se torna melhor ainda”. Geralmente, o mercado aluga ações por acreditar na queda do preço, mas funciona também quando há expectativa de alta. A operação mais comum que exige o aluguel de ações é a venda a descoberto. Nela o investidor aluga as ações de pessoas como Barsi, vende os papéis pelo valor de mercado e recompra os ativos na baixa para devolvê-los ao dono. Embora pareça simples, a estratégia tem seus riscos, pois a cotação pode subir e a aposta se torna um amargo prejuízo para o locatário. A outra demanda, geralmente feita por fundos, é realizar operações de long&short. 

 

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Esses fundos investem em ações, assumindo, ao mesmo tempo, posições que ganham com a alta das cotações, ou compradas (em inglês, long) e também posições que lucram com a queda, ou vendidas (short). Assim como na venda a descoberto, as ações são alugadas de um terceiro e vendidas em seguida, para recompra futura e entrega ao proprietário. Esse tipo de estratégia tem menos riscos para os gestores. Para Boselli, da XP, o mercado de aluguel tende a crescer muito no Brasil. “Nos Estados Unidos, onde as pessoas tendem a comprar ações para aposentar, o aluguel é comum”, diz. “No Brasil, existe a lenda de que locar ações vai derrubar as cotações e minar o patrimônio. A queda vai acontecer com ou sem o aluguel.” Quais ações recebem melhor aluguel? As com menor free float (quantidade de ações livres no mercado) e com maior demanda para aluguel. 

 

“As ações preferenciais da Petrobras pagam um aluguel anual de 0,22% ao ano, ao passo que uma da Eletropaulo paga 20%.” Segundo ele, ambas são empresas sólidas, mas sofrem grandes intervenções do governo. No entanto, a quantidade de ações livres da Petrobras é muito maior que a da Eletropaulo. “Cerca de 35% das ações negociadas da elétrica são provenientes de aluguel, ao passo que na Petrobras o percentual é de 2,4%. Isso puxa o preço do aluguel da Eletropaulo para cima.” No caso da OGX, que é a segunda ação mais locada do mercado, os motivos são diferentes, explica Boselli. “A petrolífera tem um tráfego de notícias especulativas muito grande e isso gera muita volatilidade. Por isso o aluguel é alto”, diz.

 

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Para saber mais, consulte a seção Empréstimo de Ativos na área de Serviços do site www.bmfbovespa.com.br

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