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Você precisa de crédito imobiliário?

Os corretores de crédito auxiliam o comprador na hora de obter dinheiro e lidar com a papelada do imóvel 


O empresário Bruno Mendonça Agostinho comprou um imóvel na planta no Tatuapé, zona leste de São Paulo. No momento da entrega das chaves, ele percebeu que não conseguiria o empréstimo necessário para quitar a dívida de R$ 160 mil junto à incorporadora. 

 

Por ser dono de uma pizzaria, Agostinho movimenta mais a conta da empresa do que a da pessoa física. “Não consegui crédito nos bancos Santander e Caixa Econômica Federal, que não consideravam a movimentação da conta corporativa”, diz ele. 

 

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Bruno Mendonça Agostinho, comprador de um apartamento no Tatuapé

 

“Já estava desesperado. Cheguei a pedir mais prazo na construtora para não pagar multa”, afirma. Quem resolveu seu problema foi o corretor de crédito Marcelo Prata, fundador da Canal de Crédito, uma empresa especializada na consultoria de financiamentos. 

 

Prata pesquisou em vários bancos e descobriu que o HSBC aceitaria Agostinho. Em um mês, o empresário obteve um financiamento bancário, com prazo de pagamento até 2030. “Sozinho eu não teria resolvido o problema.”

 

A atuação de corretores de crédito vem crescendo aceleradamente no mercado brasileiro, por causa da expansão dos financiamentos imobiliários. Esses profissionais funcionam como corretores que atendem especificamente o comprador.

 

Eles não vão achar o imóvel dos seus sonhos, mas vão garantir que a compra não se transforme num pesadelo financeiro. Vão ajudar a lidar com a papelada e a avaliar a situação legal e de mercado do imóvel. 

 

Também assessoram na análise das garantias do vendedor e na escolha do empréstimo mais adequado, inclusive buscando os menores juros. Esses profissionais são comuns nos Estados Unidos, onde comprador e vendedor contratam intermediários.

 

Como funciona esse serviço? Algumas empresas não cobram pela assessoria ao cliente e seu ganho vem dos bancos com os quais trabalham. Outras consultorias cobram de R$ 500 a R$ 1 mil do cliente para tratar da papelada. 

 

Ambos os modelos funcionam, mas as empresas pagas pelo comprador são independentes e não se limitam apenas aos bancos que os remuneram. A despesa compensa. 

 

Quem comprou um imóvel sempre tem uma história horrorosa sobre problemas com a papelada, na hora de pedir o empréstimo ou negociar com o vendedor. “Contratar um profissional para cuidar dessas tarefas evita esse desgaste”, diz Prata. “O profissional é capacitado para enxergar antes o que pode dar errado e evitar o problema ou cancelar a negociação.”

 

Segundo o consultor de investimentos Conrado Navarro, o gasto faz mais sentido quando o objetivo é comprar um imóvel para investir.Foi o caso do pecuarista Valdeir Alves, de São José do Rio Preto. Além do gado, Alves possui nove imóveis em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. 

 

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Marcelo Prata, fundador da Canal de Crédito

 

Ao encontrar uma casa que o interessou em Paranaíba, a 510 quilômetros de Campo Grande, ele financiou metade dos R$ 300 mil que o vendedor pedia pelo imóvel. Todo o processo, da consulta pela internet até a assinatura do contrato, levou apenas 20 dias. “Tudo foi prático e muito eficiente”, diz ele.

 

Essa atividade é recente no Brasil, mas já há seis empresas atuando. Uma das mais conhecidas é a CrediPronto, que nasceu em 2009 de uma parceria entre o banco Itaú e a imobiliária Lopes. 

 

Em outubro passado, o banco HSBC anunciou a contratação de 100 profissionais para facilitar a concessão de empréstimos para compra de imóveis usados, cuja demanda deve aumentar depois de o banco ter fechado uma parceria com a corretora Brazil Brokers. 

 

Outras empresas são a Canal do Crédito, a Sagace e a Crédito Imobiliário Fácil, além da espanhola Creditaria, que iniciou suas atividades aqui há cerca de um ano. Fundada há dez anos, a Creditaria opera por meio de franquias e tem operações no México e no Chile. 

 

No Brasil, além da capital paulista, há lojas em Santos, Brasília, Maceió e Belém. Os principais divulgadores da Creditaria são as imobiliárias, diz Bruno Albarello, presidente da empresa no Brasil. 

 

Na Espanha, a atuação dos corretores de crédito é estimulada pelas dificuldades do mercado. Os registros imobiliários espanhóis são menos seguros que os brasileiros, o que provoca muitas contestações sobre a propriedade dos imóveis e abre espaço para a atuação de especialistas. 

 

Segundo Albarello, o crescimento do mercado brasileiro é o principal atrativo para a Creditaria. “O volume de operações tem aumentado a cada dia”, diz ele.

 

A contratação de um corretor de crédito ajuda muito na hora da compra, mas quem vai assinar o cheque também tem de fazer alguma lição de casa, diz o consultor Navarro. 

 

“O interessado deve avaliar a solidez da construtora e as condições do crédito”, diz ele. Caso opte por um consultor de financiamentos, exija que ele lhe mostre opções de financiamento de mais de um banco para que você possa compará-las. “O consultor facilita a compra, mas a decisão tem de ser sua.”

 

 

Modelo americano

 

Há 418 mil corretores de crédito nos EUA, onde não se compra imóvel à vista

 

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Pouquíssimos americanos se arriscam a comprar uma casa sem a consultoria de um corretor de hipoteca, lá conhecidos como “mortgage brokers”. O motivo é simples: imóveis quase nunca são comprados à vista. 

 

O comprador pode lançar mais de uma hipoteca sobre o mesmo imóvel, usando a casa como garantia para obter um empréstimo. Tudo isso requer a assessoria de um profissional que conheça bem as regulamentações fiscais e imobiliárias. 

 

A profissão de corretor de hipotecas é regulamentada em todo o país por dez leis federais, 49 leis estaduais e cinco agências regulatórias. Esses profissionais cobram de 1% a 3% do total negociado. A estimativa da consultoria Wholesale Access Mortgage é de que existam 418 mil agentes nos Estados Unidos trabalhando para 53 mil empresas da área.

 

O mercado para esses profissionais surgiu nos anos 70. Ao longo dos anos, os corretores de hipotecas conseguiram ganhar poder junto aos bancos e obter bons descontos nos empréstimos. 

 

Os negócios diminuíram após a crise financeira de 2008, pois os critérios para a compra de um imóvel hoje estão muito mais rigorosos e as taxas subiram 36% em 2010 em relação ao ano anterior, o que pressionou a demanda para baixo.