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Correa apelará à Unasul união para enfrentar transnacionais

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste sábado que proporá à União de Nações Sul-americanas (Unasul) a criação de uma frente contra as empresas transnacionais como a petroleira americana Chevron, à qual acusou de tentar “pulverizar” o país.

“Como presidente (pro-témpore) da Unasul, vou enviar uma carta a todos os membros da Unasul porque aqui devemos nos unir para enfrentar estas transnacionais”, declarou Correa, em seu relatório semanal de trabalho.

Ele afirmou que seu governo proporá a anulação de uma decisão da Corte Permanente de Arbitragem (CPA), de Haia, que nos últimos dias ordenou Quito a pagar 700 milhões de dólares à Chevron por violação do tratado bilateral de investimentos entre Estados Unidos e Equador.

A decisão da CPA, divulgada na terça-feira, está relacionada com sete denúncias comerciais apresentadas pela então Texaco (hoje Chevron), entre 1991 e 1993.

“Nem um passo atrás, saberemos defender o país. Vamos pedir a anulação desta monstruosidade, que é o reverter a sentença”, disse Correa, acrescentando que “os impérios existem e há transnacionais que acreditam ser impérios”.

“Unidos somos mais, mas temos que nos unir para podermos enfrentar estes monstros que ainda acham que somos seu quintal, sua colônia, que acreditam que podem pisotear nossa dignidade e soberania”, afirmou.

O presidente equatoriano reforçou que a decisão da CPA é “tremendamente grave”, que vai “pedir a anulação” e “lutar ao nível da Unasul e ao nível internacional”.

Ele estimou, ainda, que “há uma perseguição intensa da Chevron com relação ao país por um julgamento no qual nada tem a ver o governo nacional” e acusou a petroleira de querer “deslegitimar a Justiça equatoriana” e de ser uma “inimiga aberta do país”.

“Esta transnacional quer pulverizar o país, deslegitimar seu sistema jurídico por este julgamento imposto a algumas comunidades da Amazônia (equatoriana)”, manifestou o chefe de Estado.

Cerca de 30.000 habitantes da Amazonia pedem à Chevron indenizações da ordem de 27 bilhões de dólares mediante um julgamento ambiental que desde 2003 tramita em uma corte equatoriana.

A reivindicação é oito vezes superior ao que a ExxonMobil, principal grupo petroleiro americano, gastou (3,4 bilhões de dólares) para descontaminar e ressarcir 32.000 pessoas pelo vazamento de 50.000 toneladas de petróleo, depois que o navio Exxon Valdez bateu contra um arrecife no Alasca, em 1989.

A Chevron, na época Texaco, operou no Equador entre 1964 e 1990, e um tribunal de Nova York ordenou, em 2001, que se submetesse à jurisdição equatoriana, no primeiro processo da história a obrigar uma petroleira americana a responder à Justiça de outro país.

sp/emm/mvv

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