Investidores

Lily dá adeus ao Brasil

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LilLy safra: vivendo entre Londres e Nova York, não veio ao Brasil sequer para assinar os contratos de venda da empresa

 

A gaúcha Lily Watkins Cohen Monteverde Bendahan Safra, de 71 anos, é a brasileira mais conhecida no jet-set internacional. Seus quatro casamentos com bilionários do Brasil, da Argentina, da Inglaterra e do Líbano resultaram num legado de fama, fortuna e lágrimas. Tanto Edmond Safra, seu último marido, como Alfredo Monteverde, com quem se casou em 1965 e que lhe deixou de herança o Ponto Frio, morreram de forma trágica. A empresa, aliás, lhe despertava sentimentos díspares. Se por um lado o negócio garantia uma importante fonte de renda, por outro lhe trazia lembranças trágicas como a morte do primogênito Claudio Cohen. Diretor de marketing do Ponto Frio, ele foi vítima de um acidente de carro em 1989. Desde então, Lily começou a se afastar cada vez mais do Brasil. O distanciamento se acentuou nos últimos anos. ?A dona Lily só vinha ao Brasil para receber os dividendos do Ponto Frio. Chegava, despachava com os executivos e na sequência embarcava de volta para a Europa?, conta um executivo que atuou na empresa. Com a venda do Ponto Frio para o Grupo Pão de Açúcar, na segunda-feira 8, Lily rompeu o último laço que a prendia ao País. Tanto que nem apareceu para assinar a papelada. Toda a negociação foi conduzida por telefone e internet. O contrato foi enviado por email para Londres, onde fica a residência oficial de Lily.

 

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Os ex-maridos: a cada casamento, ela incorporava um sobrenome: o Cohen vem de Mario, o Monteverde de Alfredo e o Safra de Edmond (da esq. para a dir.)

 

As raras visitas ao Brasil eram motivadas ainda por atividades filantrópicas e eventos da alta sociedade. Em todas as ocasiões Lily era tratada com mesuras e rapapés pelos interlocutores. E não podia ser diferente, segundo um empresário que manteve um relacionamento comercial duradouro com ela: ?Ela sempre foi uma pessoa difícil no trato pessoal e que jamais admitia ouvir um não como resposta?, recorda a fonte que pediu para não ter o nome citado. O sócio minoritário Simon Alouan foi um dos que conheceram a face, digamos, mais agressiva de Lily. Nos últimos 20 anos ela sequer lhe dirigiu a palavra. Apontado por ela como causador da morte do filho Claudio, com o qual ele travou uma ríspida discussão no dia do acidente, Alouan foi expulso do enterro do Claudio. Apesar do temperamento forte, Lily é tida como uma mulher sedutora. O charme e a beleza foram as armas usadas para conquistar bons partidos, como o argentino Cohen, dono de indústrias do segmento de náilon e com quem teve três filhos: Adriana, Eduardo e Claudio. Na sequência vieram o brasileiro Monteverde, o inglês Samuel Bendahan e o libanês Safra. Este último, um solteirão convicto, foi fisgado aos 44 anos durante um leilão de arte em Paris, quando disputaram ferozmente um item apregoado. Safra venceu e depois a presenteou com a peça.

 

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Simon Alouan: ex-sócio e ainda minoritário do Ponto Frio, tornou-se o maior desafeto de Lily

 

Em Londres, para onde se mudou após a morte de Safra, em 1999, Lily estreitou ainda mais seus laços com a nobreza. Fez o mesmo com personalidades do showbiz, como o cantor Elton John, figurinha carimbada em festas e eventos beneficentes patrocinados por ela na Europa e nos Estados Unidos. A faceta filantrópica de Lily, aliás, foi intensificada nesta década. À frente da Fundação Edmond Safra ela se tornou a 20ª maior contribuinte de instituições de caridade britânicas, com a doação de US$ 45 milhões. Nascida Lily Watkins em Canoas (RS), a cada sobrenome influente adicionado ao seu registro civil ela foi amealhando uma fortuna em heranças, que hoje já soma US$ 1 bilhão, segundo a revista Forbes.