Investidores

A volta da Olivetti

O nome Olivetti permanece vivo na memória dos brasileiros. Uma marca que virou sinônimo de máquina de escrever e chegou a vender por aqui mais de 10 milhões de unidades durante os mais de 50 anos de atuação no mercado. Sua história no Brasil começou em 1952 e se encerrou de forma melancólica no início deste século, quando as máquinas de escrever já não eram mais produzidas e os únicos produtos com o logotipo italiano eram modestas calculadoras feitas em Manaus. Em 2003, a Olivetti fechou as portas de suas fábricas e se despediu do País. A grande novidade é que agora ela pode voltar. Desta vez, mais moderna, enriquecida e revigorada. A empresa, hoje sob o guarda-chuva do grupo Telecom Italia, anunciou o lançamento de duas impressoras de jato de tinta para o mercado mundial. Os produtos chegam às prateleiras européias em setembro. Não se admite oficialmente, mas o Brasil é um dos prováveis alvos desse relançamento da Olivetti.

A empresa italiana foi mais uma das vítimas da proliferação dos computadores nos anos 90. Chegou até a esboçar alguma reação, mas faltava-lhe capital e tecnologia para brigar com grandes fabricantes como a IBM. A Olivetti só não sucumbiu mundialmente porque acabou nas mãos da Telecom Itália, do empresário Marco Tronchetti Provera. O respaldo financeiro propiciou o redirecionamento imediato de sua linha de produtos. A primeira medida foi colocá-la no segmento corporativo, produzindo copiadoras, periféricos de informática e equipamentos para correios, bancos e loterias. Com isso, a Olivetti renasceu. Em 2004, seu faturamento chegou a 655 milhões de euros. Mas faltava o retorno ao varejo e ele vem agora com a linha de impressoras. ?Daqui a dois anos, esperamos que as impressoras rendam 50% do faturamento do grupo?, disse Provera. Não se trata, por enquanto, de uma família exuberante de produtos. São apenas dois modelos: a portátil My Way, destinada à impressão de fotos, é capaz de processar imagens recebidas por wireless (conexão sem cabos) de telefones celulares. Já a multifuncional Any Way, com tecnologia Bluetooth, dedica-se a serviços gerais de escritório ou residências. Imprime, faz cópias e recebe mensagens via fax. ?Vamos investir 150 milhões de euros no desenvolvimento de impressoras?, disse Provera.

No Brasil, o que restou da empresa foi um escritório em São Paulo, que não possui atividade comercial. Somente administra ativos patrimoniais e passivos trabalhistas da extinta Olivetti do Brasil. Mas a animação dos ?órfãos? da filial brasileira é grande com a linha de impressoras. Um dos funcionários do escritório admite que a importação dos produtos está sendo estudada. Coincidência ou não, o tal escritório está em plena fase de contratação de pessoal.

? 150 milhões será o investimento em pesquisa e desenvolvimento
de novas impressoras até 2007