Investidores

Eike no ataque

capa_01.jpg

“Se não dá mais para acreditar na Petrobras, vou confiar em quem?”

 

Eike Batista é tido como um empresário astuto, com faro para bons negócios. Aos 25 anos, conquistou US$ 6 milhões com mineração e não nega a atração por empreendimentos arriscados ? hoje seus negócios já andam na casa do bilhão. Mas aos 48 anos, o engenheiro formado na Alemanha acredita ter levado uma rasteira da Petrobras. E se diz pronto para uma luta de Davi contra Golias. Na quinta-feira 13, o ex-marido da modelo Luma de Oliveira deveria ter recebido um cheque de R$ 14 milhões da estatal. Era um pagamento referente às despesas da TermoCeará, uma usina de US$ 150 milhões que Eike construiu associado a uma multinacional americana, a Montana Dakota Utilities. O dinheiro não veio ? foi depositado em juízo. ?Quebraram o contrato e minha alternativa é recorrer à Justiça?, disse Eike à DINHEIRO, ainda sob o calor da disputa. Na véspera do calote, ele foi a Brasília e saiu de mãos abanando. ?Se um empresário já não pode acreditar na Petrobras, ou na assinatura de um presidente da República, em quem dá para confiar??, desabafa. Logo em seguida, Eike disse que não pagaria seus credores: BNDES, Eximbank e Itaú.

A novela de Eike começou em 2001, em pleno apagão. Naquele ano, ele atendeu ao chamado do governo para investir em geração de energia. Havia pouca oferta, a demanda era alta e o megawatt/hora custava R$ 680. Diante do que lhe parecia um filão, o empresário acionou seus contatos no exterior e montou a MPX em parceria com a MDU. Com a TermoCeará, debutou no ramo. Fez uma usina térmica, assim como a El Paso e a Enron. Pelo contrato firmado com a Petrobras, na presença do então presidente Fernando Henrique Cardoso, Eike bancaria a construção da obra e a estatal assumiria os custos da usina nos meses em que a termelétrica não atingisse a receita necessária para fechar as contas. Faltava energia no País e Eike diz que ninguém investiria sem incentivos. Mas os tempos mudaram. No ano seguinte ao contrato, choveu muito e, com o racionamento, o brasileiro reduziu drasticamente o consumo. No novo cenário, a oferta subiu, a demanda caiu e o preço foi para o chão. Quando a TermoCeará ficou pronta, o megawatt/hora valia R$ 5.

No fim do ano passado, porém, a Petrobras divulgou a intenção de rever os contratos com as térmicas. Decisão que atingiria, além da TermoCeará, a Macaé Merchant, da El Paso, e a Eletrobolt, da falida Enron. Com as três, a Petrobras estava gastando anualmente US$ 330 milhões. Começou ali o inferno de Eike, que culminou na semana passada. Depois de diversas conversas com o sócio nos Estados Unidos e reuniões com a diretoria da Petrobras, ele veio a Brasília pedir apoio da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Mas perdeu a viagem. Quando desembarcou na quarta-feira às 16h30, soube que a Petrobras interromperia o pagamento, depois de 39 desembolsos de US$ 4,8 milhões em favor da MPX. Para ele, foi quebra de contrato. ?Não tem outro nome?, disse. Em conseqüência disso, a MDU teve que levar o caso à Bolsa de Nova York e à SEC, órgão americano equivalente à Comissão de Valores Mobiliários. ?Essa atitude da Petrobras me deixou tonto?, afirma. ?Estão me pressionando para vender a termelétrica.? Eike admite sair do negócio, mas diz que não aceita menos do que US$ 189 milhões. ?Se não, vou à Justiça?, avalia.

 

capa_02.jpg

O POMO DA DISCÓRDIA: A usina em Pecém, no Ceará, foi apelidada como TermoLuma

 

O principal inimigo de Eike na Petrobras é o diretor Ildo Sauer, que responde pela área de Gás e Energia e garante ter agido dentro da lei. ?Todas as vezes em que uma das partes acha que a relação contratual apresenta desequilíbrio, pode rever as bases do contrato?, diz Sauer. ?Temos pareceres de juristas como Eros Grau, ministro do STF, reforçando a tese de que é obrigatório renegociar?, afirma Sauer. O problema, na visão de Eike, é que a estatal simplesmente decidiu não pagar ? agindo de forma unilateral. Na quarta 12, quando se encontrou com Dilma Rousseff, Eike tentou conquistar a simpatia da ministra e um preço melhor pela TermoCeará. ?Estou fazendo um favor em sair porque meu contrato é de 18 anos?, diz Eike. Um amigo da família revela que o conselho para vender veio do pai, Eliezer Batista, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce. Eike conta que vende a contragosto. ?A Petrobras vai comprar um ativo de primeira ordem, que era o pilar da minha empresa de energia.?

O fato é que o investimento nas térmicas virou mico e os contratos assinados no governo FHC estão no inventário da herança maldita. É esse problema que Sauer quer resolver. O contrato com a Macaé Merchant, da norte-americana El Paso, também será revisto. ?Por ano, a Petrobras gasta US$ 250 milhões só com essas duas termelétricas. Temos que defender os interesses dos nossos acionistas?, diz o diretor. A Macaé Merchant também está em entendimentos com a Petrobras para a venda do negócio. Se fechar com as duas, a empresa terá resolvido em parte o problema, mas pode herdar um passivo judicial. Um diretor da estatal, ouvido pela DINHEIRO, confidenciou que a estatal errou ao interromper o pagamento. ?Foi um contrato de risco e o ônus era da Petrobras?, avalia. ?Se o cenário de seca e energia cara tivesse se mantido, duvido que a Petrobras mudaria uma vírgula no documento?, avalia. Nas contas de Eike, sua termelétrica funcionando na capacidade plena representaria US$ 75 milhões para a Petrobras só em negócios com gás. ?O contrato passou pelo crivo jurídico, financeiro, técnico e auditorias de duas presidências, a de Francisco Gros e a de Henri Reichstul?, argumenta Eike. ?E agora isso não vale? Que loucura é essa??, indaga. Caberá à Justiça resolver o problema. 

 

O NÓ DA ENERGIA TÉRMICA

 

capa_03.jpg

SAUER: Diretor da estatal diz que não tinha alternativa, a não ser rever os contratos das térmicas

 

? Enron ? A multinacional americana construiu a termelétrica Eletrobolt no Rio de Janeiro, ao custo de US$ 260 milhões. No ano passado, a Petrobras comprou a usina por US$ 159 milhões.

? El Paso ? A empresa é dona da Macaé Merchant, maior termelétrica do Brasil, com capacidade para gerar 870 megawatts, mas tenta vendê-la à Petrobras por US$ 650 milhões.

? TermoCeará ? Eike Batista tem 51% e os outros 49% são da americana Montana Dakota Utilities. A obra custou US$ 150 milhões, o contrato dura 18 anos, mas a estatal quer rompê-lo.

 

 

 

Veja também

+ Sandero deixa VW Polo GTS para trás em comparativo
+ Veja os carros mais vendidos em outubro
+ Grave acidente do “Cake Boss” é tema de reportagem especial
+ Ivete Sangalo salva menino de afogamento: “Foi tudo muito rápido”
+ Bandidos armados assaltam restaurante na zona norte do RJ
+ Mulher é empurrada para fora de ônibus após cuspir em homem
+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por redução de até 50% na parcela
+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev
+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA
+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?