Investidores

PESADELO PROFISSIONAL

Você provavelmente já deve ter sentido temor na hora de escolher a melhor aplicação para proteger o seu dinheiro. Se nesse momento pensou que era um investidor inexperiente, ledo engano. Nem mesmo os profissionais de finanças estão livres dessa angústia que paira no mercado. Muitas vezes, eles também se sentem inseguros. ?Fiquei tenso. Naqueles dias, perdi os meus preciosos fios de cabelo?, diz Luiz Antonio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner. Para impor a sua estratégia de aplicação, Neves teve de mostrar coragem para ir contra a maré: levantou a voz e fez uma análise negativa sobre a antiga Globo Cabo (atual Net), que era a queridinha da Bolsa naquela época.

Foi em janeiro de 2000, quando as ações atingiram 20% de valorização. ?Eu sabia que o preço não resistiria, mas o mercado não acreditava. Fiquei numa situação incômoda, enfrentei muita pressão por contrariar o senso comum?, conta. Ele passou um mês mantendo sua posição, mas, em alguns momentos, teve receio de estar realmente errado. Porém, após 30 dias de apreensão, a cotação caiu. A notícia que frustrou todo o mercado foi um alívio para ele: estava certo.

Outros profissionais, acreditem, sofrem  por culpa do próprio cliente. Foi o que ocorreu com José Carlos Batelli Correa, da Corretora Gradual. Em 8 de junho de 1989, quando a Bolsa suspendeu o pregão por conta das operações lideradas pelo megaespeculador Naji Nahas, ele trabalhava na corretora Magliano, responsável pela maior operação
de Nahas, no valor de US$ 12 milhões.
?Quando o pregão foi interrompido, tive de colocar o cargo à disposição. Foi o dia mais longo da minha vida!?, recorda Batelli. ?O cancelamento da operação demorou um mês. No fim, honramos o valor total, mas foi
uma tensão enorme.?

Para o consultor financeiro Alexandre Póvoa, a situação de dúvida também foi sua maior prova profissional e durou amargos seis meses. ?No final de 98, começou a expectativa quanto à desvalorização cambial, mas ninguém sabia se seria feita e quais os efeitos.? Como diretor do ABN, administrava fundos que podiam aplicar até 30% na Bolsa. ?Aumentei as aplicações em ações. Acreditava que as mudanças iriam beneficiar a Bolsa, mas não tinha certeza ?, diz. Para chegar a um consenso, travava horas de discussões, sem resultados. Deixou o medo de lado e arriscou. Deu-se bem: a Bolsa registrou 40% de ganhos em dólar em 99.

Veja também

+ Funcionário do Burger King é morto por causa de demora em pedido

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020

+ Bolsonaro veta indenização a profissionais de saúde incapacitados pela covid-19

+ Nascidos em maio recebem a 4ª parcela do auxílio na quarta-feira (05)

+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?