Investidores

Invista na sua válvula de escape

Nem tente marcar uma reunião com o químico Marco Fabianni, diretor no Brasil de uma empresa de engenharia ambiental americana, às seis da tarde de uma quinta-feira. Provavelmente você não vai conseguir. Motivo? Esta é a hora sagrada da sua meditação. E Fabianni nunca faltou a uma sessão desde que começou a praticar, no início do ano. ?É o momento que tenho para investir em mim.? O executivo, de 42 anos, demorou para entender como essa pausa é importante até mesmo para sua vida profissional. Antes, o máximo que ele se permitia de descanso era uma partida de futebol. ?A competição no campo era tanta que eu saía do jogo mais estressado ainda.? E aí juntavam a carga de trabalho, os problemas do dia a dia, a falta de tempo para o lazer e Fabianni terminava a semana perto da loucura. Foi quando resolveu seguir os conselhos da esposa e procurou um centro de ioga. Além do tempo, ele investe R$ 200 por mês em três sessões semanais. Não que as preocupações tenham diminuído, mas ele diz que aumentou sua tolerância a situações difíceis. ?E, com mais calma, fica fácil a solução.?

Atitudes como o de Fabianni têm se tornado mais comuns. É só dar uma olhada nas escolas de ioga e de meditação e até nos cursos de culinária para ver como empresários e executivos começam a pôr o relaxamento como prioridade da agenda. ?Talvez o brasileiro esteja entendendo que investir na saúde mental é essencial para manter a vida em equilíbrio?, diz Márua Pacce, coordenadora do centro de ioga Ganesha, de São Paulo. E quando Márua fala em equilíbrio, ela está se referindo àquelas coisas mais objetivas da nossa vida como trabalho, negócios e dinheiro. Nos Estados Unidos, é tão comum um executivo agendar uma sessão de hipnose ou meditação como marcar uma ida ao dentista. ?Talvez ser workaholic está saindo de moda?, explica Márua. E, por isso, incorporam no seu cotidiano tarefas que exercitam a válvula de escape. A hipnose começa a ganhar força no Brasil e entre os adeptos estão alguns executivos que buscam a redução da ansiedade e do medo. O benefício tem seu preço – uma sessão semanal custa em média R$ 100.

Outra descoberta dos estressados é a cozinha. Paula Moraes, dona do Atelier Gourmand, escola de culinária de São Paulo, teve que instalar um cabideiro extra na recepção para acomodar a quantidade de paletós dos alunos. Os aprendizes de chef desembolsam até R$ 150 por três horas de aula. Até as empresas começam a perceber como essa pausa traz benefícios. Algumas, como o Banco Santander e a consultoria McKinsey, fecharam a escola só para oferecer cursos para seus executivos. Exagero? A Expand, uma das maiores importadoras de vinho do Brasil, tem oferecido sessões de degustação para executivos. Pelo menos 800 alunos/empresários já aprenderam lá a identificar um vinho e pagaram por isso cerca de R$ 150. ?Eles desenvolvem a sensibilidade?, diz Otávio Piva de Albuquerque, da Expand. Sensibilidade que depois vai fazer diferença na hora de fechar um negócio.