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Escritório com cara de hotel

Se você está pensando em montar um escritório, antes de pôr a mão no bolso deve conhecer a mais nova tendência desse setor. São os business centers, centros de negócios que aliam prédios comerciais de última geração a um serviço parecido ao de um hotel cinco estrelas para empresas. Pagando entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil por mês você pode se instalar num conjunto comercial equipado com mobília, sala de reunião, telefone, fax, Internet de alta velocidade, recepção, telefonista, sistema de caixa postal, copa e segurança. E não pára por aí. Há serviços cobrados à parte, como: secretária bilíngüe, videoconferência, digitação, office-boy, xerox, entre outros. Você pode se mudar sozinho ou com uma empresa de até 30 funcionários (o custo médio por pessoa é de R$ 500). É um bom negócio para quem não faz questão de ser dono do imóvel, não se importa em marcar horário para usar a sala de reuniões ou de dividir o andar com o concorrente. A semelhança com um hotel também está no fato de você poder usar os business centers quanto tempo quiser, seja por uma tarde ou alguns anos. ?É tudo muito flexível?, explica Ben Fluhart, vice-presidente da Regus, segunda maior empresa do setor no mundo. ?É ideal para empresas que vão crescer mas não sabem em que ritmo.?

Mais do que a praticidade, o preço é um aliado para quem opta pelo sistema. Num escritório próprio, despesas como telefone, segurança, aluguel, luz, água, impostos, entre outros, saem do bolso do executivo. Nos business centers, já estão incluídas na fatura mensal. Isso explica o sucesso dessa tendência no Brasil. Segundo a Associação Nacional de Centros de Negócios, em 1997 havia 15 business centers no Brasil. Hoje, são cerca de 100, nas maiores capitais. ?Nossos clientes são principalmente multinacionais que querem entrar rápido no mercado brasileiro?, diz Milene Koraicho, diretora de marketing da HQ, a maior empresa do setor no mundo, com 10 centros no Brasil. Foi o que aconteceu com a Ericsson, que em abril instalou seu Instituto de Internet Móvel num centro de São Paulo. ?Viemos procurar um parceiro local e analisar o mercado?, explica Kennet Larsson, diretor da divisão.

COMPARE OS PREÇOS

Quanto custa por mês, em média, ter o seu próprio escritório ou se instalar em um business center: (em R$)

  tradicional   business
custo do espaço
(escritório de 50m²)
1.200 *   2.150
secretária e office-boy 1.000   500 **
encargos trabalhistas
e benefícios
1.500   0
condomínio, luz, água e
impostos
700   0
copa, limpeza e
manutenção
500   0
alugel de telefone
(2 linhas)
300   0
TOTAL 5.200   2.650
* alugel
** serviços opcionais de secretariado, como: processamento de texto, agendamento de reuniões e eventos, tradução.
Fonte: Associação Nacional dos Centros de Negócio

Os business centers também podem servir para quem quer um escritório virtual. Ou seja, profissionais que trabalham em casa ou vêm de outra cidade e precisam de um endereço para fazer uma reunião, receber correspondências ou ligações. ?O executivo não precisa estar fisicamente no escritório para que ele funcione?, explica Roberto Augusto Camargo, da BPC, outra empresa do setor, de São Paulo. Esse conceito vem crescendo tanto que, para atender à demanda, a empresa paulista sofisticou a idéia do business center lançando há um mês o office flat. ?Enquanto os business centers ocupam apenas alguns andares, o novo sistema fornece instalações para o prédio inteiro?, diz Camargo. Já existem dois office flats em São Paulo, cada um com 220 escritórios.

Se o seu negócio precisa de mais do que um escritório, a opção são os business parks. São áreas parecidas com shoppings, voltadas para indústrias. Há galpões e um espaço comum com restaurantes, ambulatórios, lojas e correio. Além da infra-estrutura, a limpeza e a segurança também são divididas. ?O uso compartilhado representa uma economia de até 50%?, diz Walter Cardoso, presidente da CB Richard Ellis, consultoria imobiliária responsável pelo WT Castelo Branco, em São Paulo. Quem opta pelo sistema paga, além do aluguel, um condomínio. ?Ainda assim, se tivesse que pagar do meu próprio bolso a segurança daqui sairia muito mais?, diz Cláudio Horiuti, sócio da Tec Pro, empresa de blindagem de automóveis instalada desde fevereiro num business park.