Finanças

Nova tacada da Webmotors

Além dos classificados automotivos, a empresa agora investe em ferramentas para revendedores e na inteligência de mercado

Nova tacada da Webmotors

Na caçapa: Maria Regina Parente Botter, presidente do WebMotors: “Vamos usar nossas ferramentas e nossa base de dados para prestar serviços às redes de revenda.” (foto: Thiago Bernardes/Frame)

Oempresário paulista Sidney Rapanelli dedicou metade dos seus 40 anos de vida ao comércio de veículos. Nos últimos 12 anos ele geriu sua própria revenda, a Quest Multimarcas, instalada na zona Sul de São Paulo. Nesse período, Rapanelli diz ter visto o mercado mudar muito. “Quando abri minha empresa, eu vendia carros para vizinhos, conhecidos do bairro, amigos e pessoas da redondeza, que liam os classificados nos jornais”, diz ele. “Agora, vendo para o Brasil inteiro, já atendi compradores do Maranhão e da Bahia.” A razão para uma transformação tão profunda na maneira de fazer negócios é a internet.

Atualmente, sua principal ferramenta de divulgação são as páginas de classificados on-line, em especial as do portal WebMotors. Fundado em 1995 e adquirido pelo então ABN Amro, em 2002, o WebMotors é o líder na publicidade digital voltada para o mercado automotivo. No que depender de Maria Regina Parente Botter, presidente da empresa, Rapanelli vai intensificar o número de visitas ao site. A nova estratégia do WebMotors visa atender não apenas os compradores e vendedores individuais, mas prestar serviços para empreendedores e revendas de veículos, um universo de cerca de 100 mil empresários em todo o País.

“Temos inúmeras ferramentas de gestão e uma enorme base de informações de mercado”, diz Maria Regina. “Agora, vamos usar esses recursos para prestar serviços para os revendedores, de modo a facilitar seu trabalho e ampliar suas vendas.” A guinada estratégica começou em 2013, quando o Santander vendeu 30% do capital do WebMotors para a empresa australiana CarSales, por R$ 180 milhões. O investimento trouxe não apenas mais recursos, mas também capacidade técnica e novos modelos de negócios que iam além da publicidade. “Evoluímos de um site de classificados para um portal de prestação de serviços e de geração de conteúdo para o setor”, diz Thiago Andrade, diretor comercial do WebMotors.

“Agora, além de prestar serviços de divulgação, queremos oferecer inteligência de mercado.” As mudanças começaram com uma ida às compras. Nos últimos dois anos, a empresa adquiriu concorrentes regionais de classificados, como MeuCarango, do Nordeste, e o paulista Compreauto. A aquisição mais recente foi a da carioca VMotors, em dezembro de 2014. Voltada para o mercado de revendas, a empresa adquirida trouxe a tecnologia necessária para o lançamento de novos produtos, e também agregou musculatura ao WebMotors. O faturamento previsto para 2015 é da ordem de R$ 110 milhões, um crescimento de dois dígitos em relação ao ano passado, e o número de funcionários deverá passar dos atuais 65 para 200, no fim do ano, nos escritórios de São Paulo e do Rio.

Um bom exemplo das mudanças é a gestão dos estoques das revendas e das informações publicadas por elas. “As cotações dos veículos mudam muito depressa dependendo das condições do mercado, e é essencial que o revendedor atualize suas ofertas com agilidade para não perder negócios”, diz Andrade. A estratégia do WebMotors vai ao encontro das condições de mercado. A retração do crédito e a desaceleração da economia derrubaram as vendas de veículos zero-quilômetro. 

Assim, quem precisa ou deseja comprar um carro passou a escolher os seminovos, veículos com até três anos, e os usados. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), nos cinco primeiros meses do ano, a venda de veículos novos recuou 20% em relação ao mesmo período de 2014, ao passo que as vendas de usados e seminovos aumentaram 1,7%. Algo que o empresário Rapanelli sabe muito bem. “O mercado está ruim, então eu tenho de ser rápido, se não eu perco vendas”, diz ele.