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Previdência: o que é melhor, um PGBL ou VGBL?

 

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Segundo os especialistas os fundos de previdência privada são indicados para aqueles que pretendem se aposentar em um prazo mínimo de dez anos. Mas qual a melhor opção: PGBL ou VGBL? Isso depende do perfil fiscal de cada um.

O PGBL é indicado para pessoas que utilizam a declaração completa de imposto de renda e que não têm gastos muito altos com saúde e educação, por exemplo, que são dedutíveis de imposto. Já o VGBL é indicado para quem utiliza a declaração simplificada de IR ou é isento, não contribui para a Previdência Social, ou pretende contribuir com mais de 12% da sua renda bruta anual em previdência.

Escolhido o tipo de plano, o investidor parte para a compra do produto. Nesse momento, todo o cuidado com as taxas cobradas é pouco. Os planos de previdência costumam cobrar uma taxa de administração da carteira, que é anual, serve para remunerar o trabalho de gestão da carteira e gira em torno de 2,5%, em média, segundo Luiz Martinez, diretor de produtos de previdência e investimentos a Icatu Seguros.

E há ainda a chamada taxa de carregamento, que incide sobre todas as contribuições que você faz ao plano ao longo do tempo e serve para remunerar o banco por suas despesas com corretagem e venda do plano. ?Mas essas taxas podem chegar a 5%, ou então nem ser cobradas?, diz Martinez. ?Ao mesmo tempo, há produtos com taxas de administração de 0,7% e sem carregamento?, afirma.

Partindo-se de um PGBL que permite abater 12% da renda anual tributável no cálculo do Imposto de Renda, temos a seguinte simulação: uma pessoa que recebe R$ 100.000,00 por ano deverá pagar 27,5% de IR (retidos na fonte). Caso tenha um PGBL, poderá investir 12% da renda total recebida no ano (neste caso, R$ 12.000,00) no fundo e, deste valor, poderá ser restituído em R$ 3.300,00 do IR retido (27,5% dos 12.000,00).

Em um primeiro momento, economizar R$ 3.300,00 é um excelente negócio. Mas de acordo Mauro Calil, professor e educador financeiro, é preciso avaliar o quadro em um prazo mais longo. Considerando o prazo de 10 anos, com os R$ 12.000,00 investidos em um plano de previdência com rentabilidade de 12% ao ano, e com taxa de carregamento e de administração (paga no início do período) de 2,5% cada. E supondo que o investidor escolheu o regime regressivo de desconto de imposto de renda no resgate, teremos a alíquota de 10%.

Investimento = R$ 12.000,00
Taxa de Carregamento = R$ – 300,00
Investimento Efetivo= R$ 11.700,00
Taxa de administração dos 10 anos = R$ -4.486,57 (292,50 + 319,41 + 348,80 + 380,88 + 415,93 + 454,19 + 495,98 + 541,61 + 591,43 + 645,85)
Valor bruto, já descontada a taxa administração = R$ 25.188,03
IR ao final de 10 anos= R$ -2.518,80 (portanto o IR de fato economizado foi de R$ 781,20)
Valor líquido final= R$ 22.669,23

Se em vez de aplicar na previdência privada, o investidor optar por um fundo de renda fixa nas mesmas condições, ou seja, aplicação inicial de R$ 12.000,00, taxa de administração de 2,5% ao ano e mesmo rendimento bruto de 12%, o imposto de renda seria de 15% somente sobre o rendimento. Assim, teríamos um valor liquido Final de R$ 23.758,80. Ou seja, há muito no que prestar atenção.

Segundo Calil, é claro que há formas mais baratas de guardar dinheiro, mas tudo depende da disciplina e também do que é mais conveniente ao investidor. O importante é estar atento às taxas de administração e de carregamento, fazer aportes mensais regulares ? o ideal  é algo próximo a 10% da renda liquida ?, além de saber que existe a possibilidade de trocar de administrador, transferindo total ou parcialmente a sua reserva para outro plano e sem custo adicional. Então, não importa a sua idade, já hora de começar a pensar no assunto.

 

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