Finanças

Portugal: “risco elevado” de recurso à ajuda externa (ministro)

Portugal enfrenta um “risco elevado” de recorrer a uma ajuda externa para resolver suas dificuldades econômicas, afirmou nesta segunda-feira o ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, em entrevista concedida ao Financial Times.

Ouvido sobre os riscos de “contágio” em seu país dos problemas vividos pela Irlanda, sob pressão para aceitar uma ajuda europeia, Teixeira dos Santos considerou que seu país estava na primeira fila.

“O risco é elevado porque nós não enfrentamos os problemas de um único país. É um problema da Grécia, de Portugal e da Irlanda”, acrescentou.

Um texto do projeto de austeridade sem precedentes, apresentado pelo governo socialista para 2011, havia sido aprovado no dia 3 de novembro, em primeira leitura.

A oposição de centro-direita, PSD, não utilizou sua maioria para bloqueá-lo, preferindo abster-se.

O texto foi aprovado com os votos dos socialistas. A esquerda antiliberal e o partido de direita CDS-PP votaram contra.

O objetivo do orçamento é reduzir o déficit público para 4,6% do PIB no final de 2011, contra os 7,3% esperados para este ano.

Portugal é considerado um dos países mais frágeis da Eurozona, como resultado de seu endividamento e de suas fracas perspectivas de crescimento.

O esforço orçamentário exigido representa uma economia de 5 bilhões de euros e afetará muito os lares: aumento do IVA (Imposto ao Valor Agregado) que vai para 23%, congelamento das aposentadorias, cortes dos salários do setor público entre 35% e 10% e revisão das ajudas sociais e das reduções fiscais nos gastos de saúde, educação e moradia.

Estas medidas devem provocar uma desaceleração do crescimento no próximo ano de 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto) e uma alta do desemprego prevista para 10,8%, segundo projeções do governo julgadas “otimistas” pela oposição.

Segundo José Sócrates, o orçamento apresentado por seu governo é “exigente, mas indispensável” para “proteger o país contra as turbulências dos mercados financeiros”.

“O objetivo é chegar no fim de 2011 com um dos déficits mais baixos da Europa para que Portugal saia, de uma vez por todas, do grupo de países mais afetados pela crise financeira”, declarou Sócrates à imprensa no fim da votação.

Milhares de portugueses se manifestaram sábado passado, no centro de Lisboa contra as medidas de austeridade do governo socialista, em especial contra a redução de salários no setor público.

Esta manifestação, organizada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, é considerada um teste da mobilização antes de uma greve geral prevista para 24 de novembro.

phv-jug/sd

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