Finanças

Quando o cartão faz você passar vexame

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R$ 5 mil foi o valor da indenização da Credicard a uma cliente que teve seu cartão recusado

 

O cartão de crédito nasceu de uma saia-justa enfrentada por dois executivos norte-americanos, na década de 1950. Frank MacNamara e Ralph Schneider foram pagar a conta de um jantar e descobriram que tinham esquecido suas carteiras. Deixaram seus cartões de visita com o garçom e a conta foi entregue depois, no escritório.

Eles perceberam que poderiam ganhar dinheiro com essa facilidade.

Apareceu, assim, o Diners Club. Mais de cinco décadas se passaram e esse meio de pagamento ganhou escala, volume e problemas. Muitos com final infeliz para o portador, numa inversão de papéis daquela primeira experiência. Atualmente, os clientes têm passado por situações desconfortáveis. Não são raros os casos de usuários que passaram vexame ao não ter uma compra aprovada na hora de passar o cartão na maquininha. Quem já não teve o cartão recusado no Exterior?

O calvário pela central de atendimento telefônico da administradora pode estragar uma viagem.

No Distrito Federal, a antiga Credicard (administradora das marcas Diners e Credicard, recentemente dividida entre Itaú e Citibank) foi obrigada pela Justiça a indenizar Miracele Dantas Cruz, em abril passado. Motivo: seu cartão foi recusado quando iria pagar as compras no supermercado. Ela quitava todas as faturas pontualmente. Como houve falha na prestação de serviço e constrangimento, Miracele teve direito a R$ 5 mil. E quando isso acontece, de quem é a culpa? A causa do transtorno pode ser o uso dos sistemas neurais, usados pelas processadoras das transações. São ferramentas eletrônicas desenvolvidas para combater fraudes. Esses sistemas monitoram hábitos de consumo.

É aí que surgem os problemas. Quando uma transação foge do perfil habitual do portador, a transação não é aprovada. Muitas vezes o cliente nem recebe uma justificativa para o não eletrônico. Proteje-se a administradora em detrimento do usuário pagante. A sensação que fica é de aborrecimento. Pior: fere-se o direito do consumidor. ?A segurança do sistema não pode impedir o consumidor de comprar com base em um perfil que ele próprio desconhece?, diz Maíra Feltrin, advogada do Instituto de Defesa do Consumidor.

As administradoras jogam a culpa nas processadoras das transações, que desenvolvem os sistemas neurais. Porém, cada emissor determina o procedimento que deve ser tomado com seus clientes para evitar fraudes. Segundo a CSU, que processa cartões de bancos como HSBC, Nossa Caixa e Safra, o monitoramento dos hábitos de consumo dos portadores normalmente não impede suas compras. Mas o limite de crédito, sim, caso seja ultrapassado. ?O objetivo é a segurança, e não a fiscalização do uso do cartão pelo usuário?, diz Wanderval Alencar, diretor-executivo da CSU. Procuradas, as outras duas grandes processadoras, Orbitall e Fidelity, preferiram não se manifestar.