Finanças

O senhor fusão


Ele montou uma butique de investimentos e entrou no ramo de fusões e aquisições há menos de três anos. Enfrenta pesos pesados multinacionais, como ABN Amro, UBS e Credit Suisse. E acaba de aparecer em destaque no ranking das operações de fusões e reestruturações societárias fechadas em 2005. Na lista, recém-divulgada pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), o empresário Pércio de Souza, criador da Estater Gestão e Finanças, é a revelação do ano passado. Sua empresa de assessoria financeira aparece em terceiro lugar quando o critério é valor (R$ 3,388 bilhões) e na nona colocação em número de operações. A tacada que lhe deu notoriedade foi a reestruturação da associação do Pão de Açúcar com o grupo Casino. ?Na verdade, uma remontagem do controle do grupo, com a compra de ações da família Diniz pelos franceses?, explica Souza. À sua frente, no ranking por volume de operações, aparecem apenas os americanos Goldman Sachs e JP Morgan. Pactual, Itaú BBA, Morgan Stanley e outros pesos-pesados ficaram para trás.

A Estater começou em 2003. Até então, Souza cuidava das áreas de mercado de capitais e fusões e aquisições do BBA. Quando o banco de atacado então comandado por Fernão Bracher associou-se ao Itaú, ele iniciou sua carreira solo ? ou quase solo. Souza levou com ele três executivos do BBA, que são seus sócios até hoje. ?No início, projetos iniciados no BBA acabaram ficando conosco?, lembra Souza. Exemplos: a recapitalização da Ipiranga e o fechamento de capital da BR em 2003. Mais tarde, sozinhos, os sócios da Estater coordenaram a reestruturação de dívida da própria Ipiranga e a venda de uma subsidiária dela no Chile. Também assessoraram o Pão de Açúcar na fusão com o Sendas. Estruturaram a venda do banco Intercap para o Itaú. E costuraram o acordo da Coteminas com a portuguesa Coelima para a distribuição de produtos da indústria têxtil brasileira na Europa. ?Somos uma empresa pequena que trabalha com clientes grandes?, define Souza.

Foi com o negócio entre Pão de Açúcar e Casino que a Estater chegou à primeira divisão do ramo de assessoria a fusões e aquisições. Até então, a soma das operações intermediadas pela empresa não havia passado de US$ 300 milhões em 2003 e US$ 500 milhões em 2004. Souza é cauteloso ao falar das perspectivas imediatas do setor. O cenário para o curto prazo é morno. As aberturas de capital estão substituindo a venda de empresas para investidores estratégicos. Por outro lado, o Brasil está se transformando em um país mais estratégico para as multinacionais, como plataforma de exportações e por seu mercado interno. ?Por isso, ainda há muita consolidação a ser feita, principalmente entre empresas médias?, avalia Souza. No momento, ele e seus sócios estão trabalhando em cinco negócios. ?Esperamos concluir pelo menos três até o final do ano.?

 
 

R$ 3,4 bilhões foi o valor das fusões fechadas pela Estater em 2005