Finanças

O novo filme da Visa


O executivo Eduardo Gentil resolveu, enfim, se apresentar como o atual protagonista da Visa no Brasil. Há sete meses, ele assumiu a presidência da maior bandeira de cartões do País, mas optou por ficar nos bastidores. Figura desconhecida no bilionário mercado do dinheiro de plástico, Gentil fez sua carreira na direção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e depois comandou instituições de investimentos. Sendo assim, ele precisou de um tempo de ensaios, antes de fazer a sua estréia oficial na Visa. Longe dos holofotes, porém, participou de cenas de destaque. Foi o responsável, por exemplo, pelo lançamento do cartão em tamanho reduzido, o mini card, que provocou uma acirrada disputa entre os bancos emissores. O barulho foi grande, mas os resultados do novo produto ainda não foram divulgados. Ele também conseguiu manter o crescimento da companhia. O faturamento com as vendas realizadas por meio da bandeira já soma US$ 21 bilhões, um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2003, e chegou a uma base de 100 milhões de cartões emitidos. Diante desse cenário, Gentil está pronto para atuar. ?A meta é oferecer serviços segmentados?, disse o presidente da Visa à DINHEIRO, em sua primeira apresentação pública.

O novo filme da Visa no Brasil tem parte do roteiro anunciado. Um dos planos é a aposta no sistema de pré-pago, que funciona como os populares celulares sem conta. Há três anos, a própria Visa lançou, sem sucesso, esse tipo de cartão. Na época, o alvo foi o público adolescente, mas apenas o Bradesco se interessou pelo negócio que não chega a representar 1% das operações da bandeira. Na nova versão, contudo, o pré-pago será uma espécie de vale presente de plástico, batizado de Gift Card. ?O diferencial será a parceria com grandes lojas e cinemas?, diz Gentil. Ele também pretende ampliar o papel da bandeira no mercado corporativo. Na cena empresarial, as primeiras atuações da Visa foram mais animadoras. O volume de vendas comerciais cresceu 60% nos últimos 12 meses, somam US$ 767 milhões. ?Esse setor ficou esquecido e tem potencial para crescer?, diz Cláudio Alvarenga, da consultoria SDG. Para preencher a lacuna, a Visa irá oferecer soluções para o pagamento de faturas e viagens de funcionários.

No seu terceiro ato, o presidente da Visa planeja incentivar o uso do plástico na baixa renda. ?Já vi esse filme várias vezes, mas nunca decolou?, diz o consultor Alvarenga, que trabalhou por 11 anos na Credicard. Os únicos cartões que chegaram às classes C e D foram os das financeiras Fininvest e Losango, tradicionais
no segmento. Fora eles, o custo da anuidade tornou os projetos das bandeiras convencionais inviáveis. Nessa cena, a Visa tem uma boa cartada. Contará com os seus principais emissores, o Bradesco e o Banco do Brasil, que lançaram servicos bancários populares. Com esse roteiro, Gentil está confiante na sua estréia. O presidente calcula aumentar o faturamento em 30% até 2005.

US$ 21 bilhões é o volume de vendas da Visa no Brasil