Finanças

DINASTIA FINANCEIRA

Enquanto os amigos queriam virar engenheiro ou advogado, Paulo Henrique tinha um sonho diferente. Queria ser banqueiro. Também pudera: seu sobrenome é Pentagna Guimarães, conhecido em Minas Gerais pela longa tradição empresarial e financeira. Mas embora seja um Pentagna Guimarães, Paulo Henrique não é do ramo familiar dono do banco BMG, da mineradora Magnesita e de fazendas de café e de gado. Seu pai, Paulo Vivas, foi sócio minoritário de um banco da família ? o Banco de Minas Gerais ?, mas a instituição foi vendida e ele precisou começar de novo, comprando metade do capital de uma concessionária Volks, a Carbel. Trinta anos depois, o negócio vingou, eles se tornaram os maiores revendedores de veículos de Minas Gerais, com faturamento anual de R$ 190 milhões, e agora estão prosperando com um banco, o Bonsucesso ?, a mais nova grife financeira dos Pentagna Guimarães.

?Foi um trabalho obstinado que virou realidade?, diz Paulo Henrique, que criou o Bonsucesso com base nos negócios e o apoio de seu pai, que também sonhava em voltar a ser banqueiro. A instituição nasceu no departamento comercial da revenda de carros. No início da década de 90, os Pentagna Guimarães perceberam que as montadoras previam a queda da inflação em seus planos de longo prazo. Paulo Vivas e seus dez filhos, todos eles sócios na Carbel, resolveram se adiantar. ?Criamos uma financeira para vender os veículos de nossas lojas quando a inflação caísse?, lembra João Claudio, diretor comercial do grupo. Com a estabilidade da economia, a partir de 1994, a financeira passou a render o equivalente a estonteantes 60% sobre o patrimônio líquido. Estava bom demais, lembra Paulo, mas logo as montadoras perceberam o filão e lançaram seus bancos. Para fugir da pesada concorrência, a família transformou o Bonsucesso num banco.

A licença saiu em 1998. Cinco anos depois, o Bonsucesso ainda é pequeno, mas cresceu muito. Seu patrimônio triplicou para R$ 22 milhões. Hoje, o banco administra R$ 224 milhões. Para se desenvolver tão rápido, o Bonsucesso seguiu uma receita de família. Sua especialidade é dar empréstimos para funcionários de empresas, como faz o BMG, banco que pertence aos primos de segundo grau dos sócios da Carbel. É um negócio seguro porque o desconto das prestações em folha de pagamento limita a inadimplência.?O que é bom para eles pode ser bom para nós?, diz Paulo Henrique, que foi bancário antes de ser banqueiro.

Os Pentagna Guimarães do Bonsucesso não se consideram concorrentes nem rivais dos primos do BMG. São parentes, mas não têm contato rotineiro com eles. O que têm em comum é a tradição financeira. Quando se fala de negócios, o grande modelo para a família foi o patriarca Coronel Benjamim Ferreira Guimarães, dono de indústrias e banco. Paulo Henrique até escreveu um livro sobre ele. ?Quando começamos, todo mundo achou que éramos ricos?, lembra João Claudio. ?Temos a tradição familiar, mas o nome Pentagna Guimarães nunca foi vantagem para nós.?