Finanças

CARTÃO NAS ALTURAS

Houve um tempo no Brasil em que era difícil encontrar quem aceitasse cartão de crédito. Agora, a situação se inverteu. O País foi tomado por uma compulsão pelos plásticos. Há uma década, o setor cresce entre 10% e 30% ao ano ? um ritmo invejável numa economia que rasteja desde a década de 80. Só nos últimos cinco anos, o número de cartões dobrou, segundo a Abecs (a associação que representa as empresas do ramo). Já são 41,5 milhões de cartões ? seis milhões a mais do que no ano passado. O dinheiro movimentado mais do que dobrou, de R$ 32 bilhões, em 1998, para R$ 72,2 bilhões no ano passado. E toda essa euforia não deve acabar tão cedo. Cada administradora projeta um crescimento diferente, mas todas falam em grandes números, acima de 15% ou 20% ao ano. ?A curva de crescimento está longe de estancar?, diz Luiz Antonio de Almeida, vice-presidente da Visa.

Quem trabalha nesse ramo não se preocupa com a guerra no Iraque nem com a estagnação econômica. Eles acreditam que terão um bom desempenho, independentemente do ritmo da economia. A razão é que há uma mudança de hábitos entre os brasileiros. Por comodidade ou para evitar os cheques sem fundos, muitos estão optando pelos cartões de crédito. Há também uma mudança de prioridades entre os bancos. Compensar um cheque custa por volta de R$ 1,00. As operações eletrônicas são mais baratas: ficam entre R$ 0,30 e R$ 0,40. Por isso, os bancos fazem promoções agressivas que ajudam a atrair novos clientes e mudar os costumes dos consumidores.

O melhor exemplo é o HSBC. No início de 2002, 600 mil brasileiros tinham cartões com a marca do banco inglês. O HSBC fez uma promoção agressiva: ofereceu juros 35% mais baixos do que os concorrentes e o cancelamento da primeira anuidade. O número de plásticos do banco quase dobrou, passando de 1,1 milhão. ?Vamos crescer mais de 15% ao ano?, diz Emilson Alonso, vice-presidente do HSBC. ?Até 2005, teremos cinco milhões de cartões.?

A confiança se justifica pelo surgimento de novos mercados.
Uma pesquisa da Credicard mostra que as pessoas de baixa renda, com salário entre R$ 200 e R$ 500, estão usando cada vez mais cartões. Em 1998, eram 900 mil os usuários entre as pessoas de classe baixa. Hoje, são 9,2 milhões. As empresas também estão começando a usar o produto para suas compras. ?Se a economia não ajudar, talvez o setor não cresça tão rápido como nos últimos três anos, mas ainda assim terá um bom desempenho?, diz Hélio Magalhães, presidente da American Express. ?Se a economia ajudar, o crescimento será bem maior.?