Finanças

O TROCO DO PROER

Começa no primeiro dia de março uma nova fase na vida do Proer, o programa que gastou R$ 26 bilhões em dinheiro público para liquidar bancos quebrados e vender a parte boa deles. Um leilão de títulos cambiais pertencentes ao que restou do Mercantil de Pernambuco, em liquidação desde 1996, deverá arrecadar o suficiente para que o banco seja o primeiro a pagar de volta o que recebeu emprestado do Proer. Os títulos, segundo uma proposta de compra recebida pelo liquidante, Nilvan Vasconcelos, valem pelo menos R$ 640 milhões ? ou 60% de seu valor de face, de quase R$ 1,1 bilhão. Em vez da venda direta, porém, o BC optou pelo leilão. A quantia que se espera arrecadar supera com folga a dívida do Mercantil com o BC. Corrigida pela TR, a conta a pagar está em R$ 520 milhões. O mocinho da história, para o banco, é a alta do dólar. Os títulos cambiais se valorizaram e fizeram o patrimônio líquido sair de R$ 390 milhões negativos, após a liquidação, para R$ 10 milhões positivos. Outros fatores respondem por apenas um terço dessa recuperação.

O leilão só vai virar realidade graças a uma intervenção da Justiça. Uma primeira tentativa, em 21 de julho do ano passado, foi embargada pelo controlador do banco, o usineiro e ex-ministro da Agricultura Armando Queiroz Monteiro Filho. Monteiro alegava que o Mercantil teria prejuízo, por dois motivos. O primeiro é técnico: os papéis têm prazos longuíssimos, de quase 20 anos, e por isso não há preço claro para eles. O segundo acabou se revelando um erro de avaliação: o ex-banqueiro julgava que os títulos, por acompanharem o dólar, tenderiam a se valorizar. Na época, o dólar estava cotado a R$ 2,81. Agora patina em R$ 2,40. ?O banco perdeu R$ 240 milhões nessa. Os credores deveriam processar o controlador?, diz o diretor de finanças públicas e regimes especiais do BC, Carlos Eduardo de Freitas.

Hoje, porém, Monteiro não pensa mais em resistir. Cansado, diz desejar mais que tudo o fim da liquidação extrajudicial. Quer voltar a ter crédito e a dispor de seus bens. E, sobretudo, quer evitar ser um obstáculo na carreira de seus filhos ? um deles, Armando Monteiro Neto, concorre sozinho à presidência da Confederação Nacional da Indústria. ?Estamos na terceira geração. Só quero ter a vida arrumada de novo?, diz o ex-banqueiro. Freitas, do BC, sabe disso. ?Essa luta consome tanto que pode ser melhor para ele desistir. O Banco Central é eterno. Ele não?, diz.

Se o leilão for bem-sucedido, o BC ganhará um argumento forte para poder vender também títulos iguais das massas falidas de Econômico e Nacional. O lote do Econômico é o maior: alcança R$ 6 bilhões, se corrigido pelo valor de face. Ângelo Calmon de Sá e Marcos Magalhães Pinto, ex-controladores dos bancos, se opuseram à venda. ?Vamos criar um precedente?, explica Freitas.

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