Finanças

Cartão fechado a sete chaves


Os hackers continuam sempre um passo à frente das instituições financeiras. Para enfrentá-los, a American Express acaba de anunciar nos Estados Unidos um pacote de medidas para aumentar a segurança no mundo virtual. A empresa vai implantar, no próximo mês, um sistema no qual o usuário recebe uma senha temporária, válida apenas para uma determinada compra. A senha descartável substitui o número do cartão de crédito, e expira assim que a transação é realizada. A Amex está escaldada. No final do ano passado, 350 mil números de cartões de crédito foram surrupiados da loja virtual CD Universe. Entre eles estão clientes da empresa no Brasil. ?Nós cometemos alguns erros e estamos trabalhando duro para repará-los?, disse Simon Kleine, vice-presidente de assuntos corporativos da Amex. Com o advento da Internet, as empresas de cartão de crédito, que faturam US$ 1,3 trilhão vendendo segurança e comodidade, tiveram de investir em novas tecnologias para se proteger. Outro caso rumoroso foi o dos piratas cibernéticos que invadiram o site do banco americano Western Union, roubando os números de 15.700 cartões.

Não há estatísticas oficiais sobre as perdas ocasionadas por crimes virtuais, porque a maioria dos clientes lesados tenta resolver o problema diretamente com as operadoras de cartão. Mas uma fonte do setor estima que as fraudes com cartão, em geral (incluindo as que acontecem off-line) podem chegar a R$ 300 milhões neste ano ? um crescimento de 60% em relação a 1996. ?As quadrilhas estão cada vez mais sofisticadas. A Internet facilitou a vida delas?, diz Andrew Mantis, vice-presidente da Amex para América Latina e Caribe. Mantis, um dos responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias para Internet, conta que possui hackers em sua equipe rastreando constantemente falhas de segurança e corrigindo-as.

Febre de compras. A partir de 2001, nos Estados Unidos, Visa, American Express e Mastercard serão obrigadas a orientar lojas e bancos associados a armazenar informações de forma adequada para evitar brechas na segurança como as cometidas pela CD Universe ou o Western Union. Apesar da paranóia, enquanto as administradoras correm atrás dos hackers, as pessoas continuam comprando pela web. As vendas na rede movimentaram US$ 20 bilhões em 1999 e deverão alcançar US$ 144 bilhões nos próximos três anos em todo o mundo, segundo a consultoria americana Forrester Research. O medo de fraudes não reduziu o apetite dos investidores pelas empresas de cartão de crédito. O preço das ações das operadoras