Estilo

Requinte para poucos

Conhecidos por trazer experiências diferenciadas a um número limitado de clientes, os hotéis butique vêm ganhando espaço nas férias dos brasileiros

Requinte para poucos

Uma ilha exclusiva para pedir a mão de seu parceiro, a possibilidade de conhecer museus famosos antes da abertura ao público e até mesmo ter um mordomo exclusivo para o seu cachorro. Pode até parecer exagero, em um primeiro momento, mas é o tipo de serviço e experiência que endinheirados estão buscando nos últimos tempos. Os responsáveis em atender essas demandas são os hotéis butique: pequenos estabelecimentos, com um número reduzido de quartos, mas que compensam o seu tamanho com o máximo de requinte possível.

A localização deles, no entanto, é o que determina o seu grande diferencial. São lugares em que a concorrência é inexistente ou que nunca conseguirá copiar o estilo do espaço. “É um local que se destaca mais pela exclusividade do que pela ostentação”, define Mario Cezar Nogales, consultor da Sn Hotelaria. Em Nova York, por exemplo, o The Edition fica localizado na icônica torre do relógio Metropolitan Life. Além de ser baseado em um prédio que já foi considerado o mais alto da cidade americana, o hotel traz agrados como cervejas e destilados produzidos com exclusividade para o The Edition.

Já em Amsterdam, capital holandesa, foi inaugurado o Het Arresthuis no prédio onde funcionava uma antiga prisão. O presídio, que foi fechado por falta de criminosos nas cadeias do país, agora tem 50 quartos para hóspedes dispostos a pagarem R$ 550 por uma experiência atrás das grades. “Esse é o movimento dos hotéis butique no mundo todo”, diz Robbert van Rijsbergen, diretor responsável pelas regiões da América Latina e Caribe da Virtuoso, rede de agências de viagens líder mundial no segmento de luxo. “A conexão emocional faz toda a diferença na hora do cliente optar por um hotel butique em vez de uma grande rede.”

O mesmo movimento é visto no Brasil. Com a desvalorização do real frente às moedas estrangeiras, muitos endinheirados vem explorando pontos turísticos brasileiros sem perder o requinte. O Ponta dos Ganchos, baseado em uma praia paradisíaca da cidade catarinense de Governador Celso Ramos é um dos estabelecimentos que vem ganhando público com o atual momento do País. Os hóspedes pagam até R$ 7,6 mil por dia para se hospedar em um de seus bangalôs. Segundo Virgínia Peluffo, uma dos sócios do resort, o número de brasileiros no hotel, que antes representava 65% dos seus hóspedes, vem aumentando cada vez mais.

“Não sei precisar um número, mas estamos sentindo um aumento da procura por turistas locais”, diz Peluffo. “Parece que para nós, a crise está passando longe.” Entre os serviços exclusivos do hotel, o que mais se destaca é o jantar na “Ilha do Sim.” Normalmente procurada por noivos, que pagam R$ 1,6 mil para um jantar isolado no espaço, a ilha é muito requisitada para pedidos de casamento. Por isso, o sugestivo nome. “Só temos vaga para jantares no fim de fevereiro”, diz ela. A exclusividade também é o principal ativo do Belmond Cataratas, único empreendimento dentro do Parque Nacional do Iguaçu.

Ou seja, apenas no espaço é possível acordar com a visão das imensas cachoeiras, considerada uma das sete maravilhas naturais de todo o planeta. Passeios de helicóptero, safáris de jipe e trilhas pelo parque, que possui entrada controlada, também são possíveis para os hóspedes do hotel. Por esses mimos, a diária de um quarto dentro do estabelecimento pode chegar a R$ 2 mil. Como não é necessário um investimento tão vultoso em comparação com grandes prédios luxuosos, os hotéis boutiques podem ser vistos como boas formas de investimento.

Afinal, diárias altas juntamente com custos menores de manutenção significam uma maior rentabilidade. “Os quartos de um hotel butique podem chegar a custar metade de um convencional”, diz Nogales, da Sn Hotelaria. Para Diogo Canteras, sócio-diretor da Hotel Invest, no entanto, é necessário cuidado antes de aportar tantos recursos em um hotel boutique. “É um bom negócio na medida em que você consegue fazer um produto diferenciado”, diz Canteras. “O problema é que na maioria das vezes não é.”

No caso da PortoBay, rede portuguesa de hotéis e resorts, a empresa não só conseguiu a diferenciação, como expandiu seus negócios para o Brasil. Mesmo com as unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Búzios, as suas unidades em Portugal são as que chamam mais a atenção. O PortoBay Liberdade, por exemplo, é localizado no coração de Lisboa e cercado de lojas de luxo. Em seus aposentos, banhos turcos, spas diferenciados e um restaurante supervisionado pelo chef Benoît Sinthon, duas estrelas Michelin. Se estiver interessado, prepare as malas e a carteira. Mais do que uma simples hospedagem, será uma experiência.