Estilo

Brioni corta e costura

A alfaiataria italiana, uma das mais tradicionais do mundo, diminui de tamanho para se ajustar aos novos tempos da moda e voltar aos seus tempos áureos 

Brioni corta e costura

Para qualquer fabricante de roupas, gastar quinze minutos na simples tarefa de pregar um botão seria considerado um sério problema de produtividade. A grife italiana Brioni, fundada em 1946 e uma das mais tradicionais do mundo, no entanto, se orgulha do cuidado que emprega na confecção de seus ternos e costumes, que chegam a custar até € 30 mil, refletido no tempo reservado para os detalhes. Por conta disso, a alfaiataria virou sinônimo de estilo e poder para os seus abonados clientes. Não por acaso, ela já vestiu nomes como o ator Leonardo DiCaprio e o agente James Bond em diversos filmes da franquia 007. O mundo da moda, por outro lado, está mudando cada vez mais rápido – vide o modelo do fast fashion consagrado pela varejista Zara, a maior do mundo no setor. Por esse motivo, na segunda-feira 7, a Brioni anunciou um amplo programa de reestruturação para se adequar aos novos tempos. A ordem, agora, é cortar mais do que somente tecidos.

O plano é retornar às suas origens, fugindo da necessidade de ganhar escala. A grife decidiu diminuir seu tamanho em um terço. Ou seja, dos seus 1,2 mil funcionários, sobrarão 800. Ao menos por enquanto, as atuais 77 lojas permanecerão abertas. Em nota, a empresa afirmou que há seis anos estava produzindo mais do que o mercado absorve. “Uma grife não pode arriscar perder a identidade por conta de escala”, diz Gabriela Otto, professora de mercado de luxo da faculdade ESPM, de São Paulo. Para ela, ao mesmo tempo em que busca resgatar a sua identidade, a entrada em novos nichos deve ser avaliada. Um exemplo é a intensificação dos trabalhos no segmento feminino, onde já se aventurou em alguns momentos. “O mundo da moda é cíclico e a Brioni tem que se renovar com ele”, afirma Gabriela. 

Desde 2010, quando foi adquirida por estimados US$ 400 milhões pelo conglomerado francês Kering, dono de marcas como Gucci e Yves Saint Laurent, a Brioni luta para se encontrar. Mudanças na direção criativa e uma tentativa de modernização da grife não surtiram efeito. Ao contrário. Consumidores antigos se afastaram, de acordo com consultores internacionais. A Kering não divulga números isolados da Brioni. A missão de reerguer a grife está nas mãos do CEO Gianluca Flore, que está há menos de dois anos no cargo. Para ele, entretanto, não há tempo para gastar com detalhes.