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Em busca das mulheres bem-sucedidas

A joalheria Hueb é brasileira. Mas sua estreia no País se dá após abrir lojas nos Emirados Árabes e nos EUA. Seu público-alvo é o feminino, independente e com dinheiro para gastar

Em busca das mulheres bem-sucedidas

Hueb, diretor: “Criamos joias que são entendidas pelas mulheres e compradas por elas mesmas” (foto: João Castellano/Istoé)

A relação entre joias e poder existe há milênios. Na grande maioria das vezes, o poderio é masculino. Era comum na Grécia Antiga, por exemplo, os homens apresentarem à sociedade suas esposas cobertas por adereços valiosos. O ato era visto como uma demonstração de prestígio e riqueza. Mas os tempos atuais são outros. A presença das mulheres no mercado de trabalho é mais do que comum e movimentos que pregam a igualdade de gênero ganham força. Por esse motivo, a joalheria brasileira Hueb está adotando uma estratégia diferente das práticas usuais do mercado.

Com suas pulseiras de R$ 200 mil e brincos que podem chegar a R$ 500 mil, a grife não sai em busca dos maridos endinheirados, mas sim das mulheres bem sucedidas. “Criamos joias que são entendidas pelas mulheres e compradas por elas mesmas”, diz Thiago Hueb, diretor e porta-voz da marca. “Por isso, nosso time de criação é todo feminino.” A missão de Hueb, no entanto, é mostrar que conseguirá conquistar a mulher independente brasileira assim como agradou as clientes no mundo árabe e Estados Unidos.

A empresa, apesar de ter raízes brasileiras, iniciou suas operações no exterior. A joalheria foi fundada por Fádua Hueb, avó de Hueb, na década de 1970, na cidade mineira de Uberaba. Ela buscava criar peças requintadas e que, ao mesmo tempo, combinassem com a mulher. Com o foco apenas nas vendas corporativas, a Hueb conseguiu ganhar a confiança de varejistas do setor, mas nunca teve sua marca reconhecida. “Percebemos que poderíamos ter uma abertura grande com uma marca forte”, afirma Hueb, que faz parte da terceira geração da família.

“Então fomos para o exterior em busca de parceiros.” A parceira encontrada foi a indiana Rosy Blue, uma das maiores produtoras de diamantes do mundo. Em 2008, foi criada a joint venture 7Cs Group, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes – importante mercado para a empresa e com baixa carga tributária. Desde então, a Hueb partiu para a expansão no varejo e abriu três lojas, em Dubai, Abu Dhabi e, por último, na Madison Avenue, em Nova York. Neste mês, a Hueb, que atingiu um faturamento de US$ 10 milhões, o equivalente a cerca de R$ 40 milhões, volta para casa e abre a sua primeira filial em São Paulo, no luxuoso shopping Cidade Jardim, com um investimento de R$ 5 milhões.

Para crescer no Brasil, a grife quer transformar as joias em itens mais acessíveis, mas sem perder o charme e sofisticação. Apesar de contar com peças que podem alcançar R$ 500 mil, a Hueb quer que as joias façam mais parte do cotidiano da mulher. “Joia não é apenas um bem para ficar guardado, mas algo para ser vestido e aproveitado”, afirma Hueb. Por isso, o objetivo é também fazer a sua coleção de entrada, que inicia em R$ 500, seja cobiçada por parte da clientela de alta renda. “É para ser usada em qualquer ocasião”, diz o diretor.
O plano de expansão é ambicioso. 

Para alcançar a meta de faturamento de US$ 60 milhões até 2018, a Hueb está firmando contratos para vender suas joias em algumas das lojas internacionais de alto padrão, como a Bloomingdale’s, em Dubai, o 51 East, no Qatar, e já está em negociação com outros possíveis parceiros em cidades como Genebra, Londres e no principado de Mônaco. A intenção também é abrir uma boutique por ano, até 2018, sem contar a inauguração de flagships, como são conhecidas as lojas conceito do mundo da moda, em Dubai, Londres e Hong Kong. No Brasil, Hueb vê espaço para se instalar em endereços como Rio de Janeiro, Recife e Curitiba, mas não há previsão de aberturas.