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Nas lentes da Cartier

Joalheria francesa já tem o Brasil entre os cinco maiores mercados para óculos no mundo. O que faz o País tão especial? Ter compradores para modelos que custam até R$ 165 mil

Nas lentes da Cartier

De olho no Brasil: o número de lojas que vendem os óculos da Cartier passou de 20 para 70 em dez anos, afirma o executivo Barzola (foto: Gustavo Luz)

No final do ano passado, a grife francesa Cartier reuniu um grupo de potenciais compradores para seus óculos de alta joalheria, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foram apresentados alguns exemplares que estão disponíveis no Brasil. Entre as peças, estava um dos modelos da clássica linha Panthère, feito em ouro rosa, cravejado com 167 diamantes e com uma pantera laqueada preta. Naquele evento, nenhum produto foi vendido. Dias depois, no entanto, um empresário carioca, que tem seu nome guardado a sete chaves pela joalheria, comprou um dos óculos para presentear sua esposa.

O valor: R$ 165 mil. É de olho nesse público seleto que a maison Cartier, uma das joalherias de maior prestígio do mundo, resolveu trazer suas peças mais exclusivos para o País, há três anos. Atualmente, há seis modelos dessa linha no Brasil, um número elevado, de acordo com o diretor da divisão de óculos e perfumaria da Cartier para América Latina, Adrián Barzola. “O Brasil já está entre os cinco melhores mercados da Cartier no mundo nesse segmento”, diz. “Nossas vendas dos óculos vão muito bem por aqui.” O executivo não revela os números.

Os modelos da Cartier seguem a mesma linha de joias da marca, como a coleção Trinity ou as peças que levam o famoso “C” da grife. “São feitos pelo mesmo artesão que faz as joias da marca, os mesmo processos de criatividade e a mesma qualidade de pedras preciosas”, afirma Barzola. A categoria é dividida por óculos de grau, de sol e a linha que leva os tradicionais diamantes Cartier. Alguns exemplares, como os da coleção Panthère, chegam a ter apenas 100 peças produzidas. E essa exclusividade vem conquistando endinheirados e famosos ao redor do mundo há quase quatro décadas, desde que os óculos se tornaram 
uma linha contínua dentro da maison.

Entre os admiradores de suas armações estão a cantora americana Lady Gaga, que desfila com o seu vintage Diabolo, o cantor Pharrell Williams, dono de um óculos de sol modelo Santos Dumont, e o presidente da Rússia Vladimir Putin, que usa uma peça da linha Neil. Atualmente, os produtos mais exclusivos estão expostos nas vitrines das duas butiques da Cartier no País, uma no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e outra no Village Mall, no Rio de Janeiro – uma terceira será aberta nos próximos meses no Shopping Iguatemi, também na capital paulista. De acordo com Barzola, os pontos de venda dos modelos da Cartier passaram de 20 para 70, em uma década. “São lojas que passam por uma avaliação criteriosa para ter receber um produto da Cartier”, afirma o executivo. 

“Porém, mais importante do que o número de lojas é a qualidade dos estabelecimentos, pois junto com a venda é preciso oferecer um serviço sem comparação.” A distribuição dos óculos da Cartier é feita pela companhia brasileira GO, dona da segunda marca de óculos mais vendida no País, que leva o nome da apresentadora Ana Hickmann. A marca também oferece produtos, digamos, mais “populares”. Há armações da Cartier a partir de R$ 2 mil à venda no País. “Os óculos entram na mesma linha da perfumaria, de acesso para quem quer um produto da marca de prestígio”, afirma a sócia diretora da consultoria de varejo R2E by Shopfitting, Heloisa Omine. “Isso não quer dizer que o País não tenha público para os produtos mais caros, pois há espaço para essas joias no mercado brasileiro.”