Estilo

Aluga-se obra de arte

Que tal pendurar um quadro cobiçado na sua parede por umas semanas? Saiba que isso já é possível. Acervos de renomados museus e galerias, até mesmo do Louvre, estão disponíveis para quem pode pagar por eles

“Sua parede branca encontrou o par perfeito.” É com essa frase que a startup americana Art Remba, especializada em aluguel de obras de arte, está revolucionando o cenário cultural e de negócios mais vibrante do mundo: Nova York. Sua fundadora, Nahema Mehta, uma belga de 27 anos, faz parte da geração de jovens que, com a ajuda de investidores privados, tem agitado as formas tradicionais de fazer negócios. “Eu via pessoas querendo entrar para o mundo da arte, mas não conseguiam porque o achavam intimidante ou inacessível”, disse Nahema, em meados de 2012. “Ao mesmo tempo, via galeristas e artistas que sofriam com obras paradas no estoque e pensava que não deve existir combinação mais perfeita do que juntar esses dois públicos.”

 

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No Brasil: a publicitária Thais Marin investiu na tendência de mercado e abriu

uma galeria nos Jardins, em São Paulo

 

O conceito de alugar obras de arte tem sido difundido pelos quatro cantos, com galerias como a Art Assets e Artsicle oferecendo trabalho de artistas menos conhecidos. Já existe até mesmo uma versão brasileira, a apArt Private Gallery, nos Jardins, em São Paulo, que promove o serviço há quase um ano. “O crescente interesse que o setor tem gerado nas pessoas faz com que os empresários do meio pensem em maneiras rentáveis para movimentar coleções que ficam guardadas em museus ou galerias”, afirma Daniel Roesler, especialista no mundo da arte e sócio da galeria paulistana Nara Roesler. A tendência já chegou ao venerável Museu do Louvre, em Paris. 

 

Com quase dez milhões de visitantes por ano, o local vai ganhar uma filial em Abu Dhabi, no Oriente Médio, que será inaugurada em 2018. A 500 metros mar adentro, será construída uma ilha artificial que vai contar com uma unidade do Louvre e outra do Guggenheim, de Nova York. Para isso, o museu francês vai receber do governo dos Emirados Árabes US$ 1,3 bilhão pelo direito de uso do nome e locação de parte de seu acervo cultural, em um acordo de 30 anos. O diferencial da Art Remba, em comparação com os antecessores, é que Nahema Mehta faz questão de trabalhar apenas com artistas contemporâneos renomados ao fazer parcerias com galerias e estúdios de peso de Nova York, como a Aicon Gallery, que conta com uma filial em Londres. 

 

Entre os artistas estão principalmente nomes famosos nos mercados emergentes de China, Índia, Oriente Médio e América do Sul. A empresária não divulga quantos clientes tem em seu portfólio, mas diz que 85 obras de arte disponíveis no site estão em circulação no momento. O aluguel de um dos quadros mais caros na coleção da Art Remba, o do indiano Syed Haider Raza, que sairia por US$ 150 mil na venda, custa apenas US$ 600 por mês. Quando os clientes se apaixonam pela obra – a empresária garante que isso já aconteceu diversas vezes –, 50% do aluguel pago durante esse tempo vai para o valor da aquisição. 

 

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Em Nova York: Nahema Mehta, da Art Remba, tem movimentado

o mercado da arte na cidade

 

Ou seja, se o cliente alugou a obra citada anteriormente por 12 meses, terá US$ 3,6 mil descontados do preço final na hora da compra. “Pouco mais da metade desses aluguéis é para empresas que querem renovar a decoração de seus escritórios com arte substancial”, afirma Nahema. A apArt Private Gallery, comandada pelos publicitários Thais Marin e Leo Macias, também tem oferecido esse serviço aos brasileiros que ainda não estão familiarizados com o mundo da arte. “Muitas pessoas têm dinheiro, mas não sabem nem por onde começar”, diz Thais, que trabalha na agência WMcCann. Ao contrário da Art Remba, que foca exclusivamente no mercado nova-iorquino, Thais diz que seu negócio pode atender várias metrópoles brasileiras. 

 

“Já temos um cliente de Brasília.” Entre os artistas que podem ser “alugados” por ela, estão Alex Flamming e Guilherme Kramer, além de peças de design dos irmãos Campana. O aluguel das obras que fazem parte do portfólio da ApArt é de 5% a 10% do valor de aquisição. Segundo Thais, os quadros que saem com mais facilidade custam cerca de R$ 5 mil, mas o acervo conta com obras de até R$ 22 mil. Assim como a precursora americana, a galeria paulistana tem uma apólice de seguro para todas as peças de sua coleção. 

 

O aluguel de obras de arte tem sido bem recebido pelos jovens abonados. Em entrevista à Bloomberg Businessweek, a americana Alexandra Reiner, 27 anos, dona do site de e-commerce de moda Figure & Form, diz que prefere alugar, por exemplo. “Poderia comprar, mas ainda estou formando meu gosto artístico e testando muitas coisas”, afirma Alexandra. “Pode ser até uma forma de colecionadores transformarem seu hobby num negócio rentável”, diz Thais, da ApArt. A empresária já foi procurada por alguns proprietários de quadros que, cansados de ver obras encostadas, pensam no aluguel até mesmo como uma forma de reciclagem no mundo da arte. 

 

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