Estilo

100 anos de Rolex


NÃO HOUVE FESTA OU QUALQUER OUTRO TIPO DE COMEMORAÇÃO. Para quem passou um século ganhando dinheiro com a contagem do tempo, a atitude chega a ser estranha. A Rolex, a marca de relógios mais famosa do mundo, não vai festejar 100 anos de história? Não, a grife não perdeu a hora, só não quer fazer alarde. Assim mesmo, sem anúncios. Apenas o relançamento do relógio Oyster Perpetual Day-Date, de 1956, ícone na história da grife por ser o primeiro a mostrar o dia da semana por extenso. Há quem ache heresia, mas o antimarketing da Rolex é o seu principal marketing. São raras as aparições de seus executivos na mídia. O curioso é que a marca, contudo, é muito falada. Estima-se que ela seja uma das maiores compradoras de ouro da Suíça, matéria-prima crucial na produção das 750 mil unidades por ano. Suas peças são desejadas no mundo inteiro e seu rótulo é facilmente reconhecido. Tanto é que, de acordo com a consultoria Interbrand, a marca ocupa a 71ª posição no ranking das mais valiosas do mundo com um valor de US$ 3,2 bilhões. ?A filosofia da Rolex é a de que o produto fale por si mesmo?, explica o especialista em relógios César Rovel. É uma política usada desde o seu lançamento, em 1908.

Quando o relojoeiro alemão Hans Wilsdorf registrou o nome Rolex, união das palavras francesas horlogerie exquise (relojoaria requintada), ele queria ter um nome facilmente pronunciável em qualquer idioma. Aliado a isso, apostou nos relógios de pulso, pouco comuns na época em que se usavam peças de bolso. Foi criticado pelos conservadores, mas ganhou apoio dos atletas da época, que necessitavam consultar as horas de uma forma mais prática. Em 1926, Wilsdorf criou o primeiro relógio à prova d?água que, no ano seguinte, foi usado pela britânica Mercedes Gleitze para cruzar a nado o Canal da Mancha, que liga a Inglaterra à França. Em maio de 1956, quando o neozelandês Sir Edmund Hillary se tornou o primeiro homem a escalar o Everest, ele usava um Rolex. Em 1960, outra prova de resistência. O relógio foi acoplado a um medidor de profundidade no Oceano Pacífico e submergiu a mais de dez mil metros. Na volta, impressionou o explorador suíço Jacques Piccard por estar em perfeitas condições.

Fruto da obsessão do jovem relojoeiro Hans Wilsdorf, a Rolex é uma das raras marcas que não está nas mãos dos grandes conglomerados de luxo. Isso porque, em vida, Wilsdorf garantiu que ela nunca seria vendida. Em 1944, quando ficou viúvo, criou uma fundação com seu nome que ficaria responsável por perpetuar a marca e doar parte dos lucros. Com sua morte, em 1960, quem liderou a entidade foi André Heiniger, um antigo funcionário, e posteriormente, em 1992, o seu filho, Patrick Heiniger, assumiu a grife. Atualmente concentrada em Genebra, a Rolex possui hoje três edifícios- base: a sede das Acácias, que abriga o administrativo; a sede de Chêne-Bourg, que desenvolve os mostradores, e a joalheria e a sede de Plan-les-Ouates, que faz as pulseiras. Há também uma quarta sede na cidade de Bienne apenas para os mecanismos da linha Oyster. ?A Rolex é ligada à exclusividade?, diz Paulo Vischi, sócio da consultoria de marcas Paprika. ?A estratégia de marketing, mesmo na comemoração dos 100 anos, tem de ser tão exclusiva quanto a marca?, completa.