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Os cavalos de Rosset


O empresário Benny Rosset, de 39 anos, é um homem de características heterogêneas. Durante a semana, ele comanda a fabricante de biquínis Cia. Marítima, uma gigante que produz 2,4 milhões de peças por ano e exporta para 27 países. É visto como o rei da moda praia, um dos responsáveis pelo sucesso do minúsculo traje brasileiro no exterior. No fim de semana, contudo, os seus negócios sobem a serra. Benny, herdeiro do grupo Rosset, um conglomerado que também possui a marca de lingeries Valisère, é dono do haras Flor do Campo. Ali, em Cabreúva, interior de São Paulo, distante do litoral, o empresário cria cavalos da raça quarto-de-milha. ?É um mercado com grande liquidez?, diz Rosset. No próximo dia 29 de abril, parte do seu plantel de 100 animais será leiloado. São cavalos e éguas cujos valores variam de R$ 35 mil a até R$ 450 mil. Estima-se que o leilão arrecade um total de R$ XX. São números vigorosos para quem iniciou o negócio como um hobby.

O Flor do Campo começou como um pequeno sítio de 4 hectares, o equivalente a 40 mil m². Comprado por Ivo Rosset, o pai de Benny, era apenas um local de descanso da família. Há sete anos, porém, começou a ganhar formas de um haras profissional. Na época, Benny foi conhecer a criação do amigo Mauro Zaborowsky, também industrial têxtil, e ficou encantado com o quarto-de-milha. ?É um animal dócil e versátil?, diz Benny. ?Ele pode servir para corrida e também para provas de equitação como baliza e tambor?. Para pôr em prática a criação da raça, o empresário começou a comprar terras até chegar a 242 hectares ou 2,4 milhões de m². Como fez com a Cia. Marítima, ele transformou o haras Flor do Campo em referência. Há lagos artificiais, as cocheiras são construídas com tijolo aparente e todas as estradas dentro da fazenda são cobertas por paralelepípedos. Um verdadeiro refúgio rural, fruto de alguns milhões de reais de investimento.

O haras tem 50 piquetes (áreas cercadas) destinados para cada etapa de vida dos animais. Um deles, por exemplo, tem alfafa plantada entre o capim, o que garante energia. Todos os piquetes são irrigados nos meses mais secos do ano. São detalhes que fazem diferença quando o assunto é competir com os criadores americanos, os líderes no mercado e donos dos animais de melhor genética. Devido ao clima desértico de estados como o Texas e a Califórnia, não há pastagem para os cavalos. ?Somos mais completos porque aliamos a genética americana com a criação nos pastos brasileiros?, explica Benny. Trata-se de um projeto que já pode ser realizado, devido a liberação de importação de sêmen norte-americano. ?Isso fará com que a nossa criação se torne altamente competitiva?. Alguns dos seus animais já começam a fazer sucesso no exterior. É o caso da égua Fischer Horizon, que correu no hipódromo de Los Angeles e levou a taça. ?O Benny fez uma base de matrizes muito boa?, diz Zaborowsky. ?Em alguns anos ele vai ser o melhor criador de quarto-de-milha do Brasil?. É o sucesso de um industrial no campo.

R$ 63 mil é o valor que pode alcançar um único cavalo do haras Flor do Campo