Estilo

Show particular

Ronaldo e Daniela Cicarelli andam anunciando um show exclusivo na cerimônia de casamento marcada para janeiro, em Paris: um espetáculo do U2 de Bono Vox, o roqueiro irlandês que adora futebol. É uma excentricidade, um capricho para quem pode. Mas não é um sonho inatingível. Há no Brasil, hoje, uma tendência entre os muito ricos, naquele pedaço do País em que apenas a presença de um badalado DJ não basta: a contratação de ídolos da música em apresentações particulares. A lista é generosa. Para comemorar o casamento de Patrícia Nahas, filha do empresário Naji Nahas, com André Germanos, realizado no dia 18 de setembro, foi contratado Paul Anka, autor do hit Diana e da versão americana da canção francesa My Way, imortalizada na voz de Frank Sinatra. Como capricho, Anka, que recebeu um valor estimado em US$ 20 mil, dedicou uma nova canção aos pombinhos. Na celebração do aniversário da namorada Chiara Magalhães, o empresário Marcus Buaiz, da Host Entertainment, providenciou uma festa que teve como atração Cláudio Zoli, que se apresentou para cerca de 100 pessoas num palco montado sobre a piscina da cobertura da família da aniversariante, no Jardim Botânico, bairro nobre do Rio. ?Há coisa mais valiosa do que confraternizar com quem mais gostamos??, pergunta Buaiz. ?Além disso, o Zoli é o cantor que ela mais gosta.? Buaiz vai direto ao ponto quando explica a motivação da pequena grande loucura. ?Sou um empresário que investe no entretenimento, então, para mim, nada melhor do que produzir um show por prazer?, diz. A apresentação, pela qual o empresário desembolsou pelo menos R$ 40 mil, teve direito a ?Parabéns a você?, uma concessão de Zoli.

Concessões deste gênero fazem parte do contrato dos artistas, induzidos a preparar espetáculos sob medida. O grupo mineiro Jota Quest executou um clássico de Roberto Carlos, a pedido dos noivos, no casamento de Natalie Klein, herdeira das Casas Bahia e dona da Marca NK Store, com o publicitário Anuar Tacach, na fazenda da família dela, em Sorocaba, no interior de São Paulo, em 8 de maio deste ano. A platéia tinha 800 convidados. ?Escolhemos este conjunto porque era o sonho do meu marido?, diz Natalie. O show teve tempo reduzido (apenas 45 minutos), num valor calculado em R$ 50 mil. ?Isso porque a atração não era o show e sim o casamento?, lembra Natalie. O
Jota Quest animou também o baile de debutante de Isabella Maluf, neta de Paulo Maluf e de Lafaiete Coutinho, ex-presidente do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.

Acrescente-se a surpresa ao show exclusivo e está dada a receita para um evento inesquecível. Foi essa a idéia dos colegas do publicitário Washington Olivetto na agência W/Brasil. Eles ouviam, com insistência e empolgação, o interesse de Olivetto pelas canções do uruguaio Jorge Drexler, descoberto no Brasil por meio da trilha sonora do filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles. ?Estava encantado com o trabalho dele?, diz Olivetto. ?Até coloquei uma música do Drexler na espera telefônica da agência. No dia do aniversário, Olivetto foi levado ao Bar Bareto, repleto de amigos. ?Quando vi o palco montado, pensei que fosse alguma brincadeira?, lembra. ?Não desconfiava de nada, foi um presente maravilhoso?, diz. O cachê de Drexler, que costuma se apresentar na Europa, é de US$ 20 mil.

Para além do exibicionismo, o que leva a esse capricho quase juvenil? Segundo o psicanalista Jorge Forbes, presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana, em uma sociedade na qual imperam as relações virtuais, o contato pessoal está mais que nunca valorizado. ?Podemos filmar, fotografar, gravar, mas sempre algo escapará que só é proporcionado pela presença física?, diz. ?Alguém pode ter ouvido no melhor aparelho de som as mais perfeitas regências de Karajan, mas nada substitui a sensação de tê-lo visto ao vivo, em Nova York.?