Economia

“A verdadeira ameaça é um choque entre os EUA e a China”

O estrategista-chefe do banco suíço Julius Baer, Christian Gattiker, fala sobre o fim da austeridade mundial, o impacto das eleições da Europa para a economia global e a criação de um Trumponomics, uma releitura de um modelo expansionista adotado pelo republicano Ronald Regan, que presidiu os Estados Unidos entre 1981 e 1989

“A verdadeira ameaça é um choque entre os EUA e a China”

Christian Gattiker, estrategista-chefe do banco Julius Baer (foto: Divulgação)

Num estudo recente, o sr. explica que a vitória de Donald Trump faz nascer o Trumponomics, idéia semelhante ao Reaganomics. Por quê? 
A vitória do republicano Donald Trump foi pautada em um forte sentimento para que houvesse criação de empregos nos Estados Unidos e normalização de impostos. Se austeridade significa poupança, o termo Reaganomics é o oposto, ou seja, impostos e gastos com infraestrutura à espera de uma reação da economia, enquanto o governo refinancia grande parte do dinheiro gasto por meio de uma arrecadação fiscal mais elevada.

Quais serão os impactos econômicos que Trump pode provocar na presidência americana?
O republicano entrará na Casa Branca quando a economia dos EUA está finalmente recuperada de uma das crises mais severas do pós-guerra. Porém, com seu discurso de “Fazer a América grande de novo”, ele poderá superaquecer a economia americana nos próximos 12 a 24 meses. Em poucas palavras, Trump é inflacionário.

Em 2017, os principais países da Europa, como França e Alemanha, terão eleições presidenciais. O sr. acredita que a expansão de ideias de extrema direita podem prejudicar a economia global? 
Com os candidatos Manuel Valls e Emmanuel Macron para os partidos estabelecidos na França, vemos o risco de um presidente de direita bem extremista. Se isso acontecer, seria uma má notícia para a Europa. Mas, o Banco Central Europeu, com Mario Draghi, já subscreveu um programa econômico para o ano, estendendo as compras de títulos até o final de 2017. Isso dá uma estabilidade global maior.

Qual é o impacto para países emergentes, como o Brasil, do aumento do protecionismo e de fenômenos como o Brexit e a eleição de Trump?
Vemos a saída de capital desses países para uma economia mais forte, como os EUA, como o maior risco para os mercados emergentes, em geral. O protecionismo vai atrair muitas manchetes, mas a verdadeira ameaça é um choque entre os EUA e a China, sobre questões geopolíticas, como o Mar da China Meridional. No entanto, é, certamente, o início de um ciclo de comércio global mais restritivo.

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Leia mais na matéria “A economia na era Trump

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