Economia

Maranhão se comprometeu a dar seguimento a impeachment de Temer, diz Silvio Costa

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Silvio Costa (PTdoB-PE),  afirmou nesta sexta-feira, 6, que o presidente interino da Casa,  deputado Waldir Maranhão (PP-MA), se comprometeu a dar seguimento ao  pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer na Casa.

Costa  afirmou ainda que o deputado do PP também se comprometeu em analisar  recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) que pede a anulação da sessão  da Câmara que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da  presidente Dilma Rousseff, no último dia 17 de abril.

“O  atual presidente Waldir Maranhão se comprometeu comigo, e eu disse a ele  que ia comunicar isso ao Brasil, que na segunda-feira ia mandar  requerimento a todos os líderes partidários, pedindo que indicassem os  membros da comissão (do impeachment de Temer”, afirmou Costa em  entrevista coletiva.

O pedido de impeachment de Temer por  crime de responsabilidade foi aceito em abril pelo presidente afastado  da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após ele ser obrigado por liminar do  ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Cunha  recorreu da decisão e aguarda julgamento do recurso.

Oficialmente,  Eduardo Cunha pediu que os líderes indicassem os 65 membros da  comissão. Em acordo com líderes da oposição, o peemedebista não  estipulou um prazo para as indicações. Com isso, até o fim de abril,  apenas 14 integrantes tinham sido indicados pelos partidos. Somente PT,  Rede, PCdoB, PEN, PMB, PSOL e PTdoB indicaram seus membros.

Líderes  de partidos que não indicaram seus membros justificam que querem  aguardar o recurso de Cunha ser analisado no STF para fazer as  indicações. Outros afirmam apenas que não possuem deputados interessados  em participar do colegiado.

AGU

O  vice-líder do governo disse ainda que Waldir Maranhão se comprometeu em  analisar o recurso da AGU, apresentado em 26 de abril, e seguir a  constituição. “Ele disse para mim e jurou de pé junto que, diferente de  Eduardo Cunha, ia respeitar o regimento e a Constituição”, afirmou  Costa.

“Ora, ao analisar, se ele realmente seguir a  Constituição e o Regimento da Casa, ele não terá outro caminho a não ser  anular aquela sessão, porque todos os motivos regionais e  constitucionais estão aqui”, afirmou Silvio Costa, em entrevista nesta  sexta-feira.

Assinado pelo advogado-geral da União, José  Eduardo Cardozo, o pedido da AGU elenca pelo menos quatro ilegalidades  na sessão, entre elas a não abertura de espaço para pronunciamento da  defesa de Dilma após a fala do relator do processo de Dilma na Câmara,  deputado Jovair Arantes (PTB-GO).

Procurado, Waldir  Maranhão, por meio de sua assessoria de imprensa, não confirmou nem  desconfirmou as declarações de Silvio Costa. Disse apenas que “seguirá o  regimento” e que colocará os assuntos para “avaliação” dos outros  líderes partidários da Câmara em reunião na próxima terça-feira, 10.