Economia

Como melhorar o recrutamento de negros no Brasil

 Conheça as estratégias de Microsoft, Bayer e IBM, que conta com iniciativas para ampliar a diversidade racial de seus escritórios

Como melhorar o recrutamento de negros no Brasil

Recrutamento e seleção de negros ainda é desafio para as empresas no Brasil

Recrutamento e seleção de negros ainda é desafio para as empresas no Brasil

Recrutar negros no Brasil sempre foi uma tarefa árdua para as empresas. Poucas têm instrumentos de gestão para ampliar a diversidade racial dos seus quadros, um problema quando se imagina que mais da metade da população economicamente ativa do País tem ascendência mestiça.

 

Para contornar o problema, grandes empresas de diversas áreas resolveram arregaçar as mangas. É o caso da Microsoft, Bayer e IBM, multinacionais cujos quadros no Brasil estão investindo para refinar a seleção de seus funcionários.

 

Seus representantes participaram nesta quinta-feira (05) do São Paulo Diverso – 2º Fórum de Desenvolvimento Econômico Inclusivo, organizado pela Prefeitura de SP e pelo Banco  Interamericano de Desenvolvimento (BID).

 

Nas discussões, dois pontos de convergência na avaliação desses executivos: é preciso um investimento mais agressivo em educação no País; as empresas precisam de políticas internas e um olhar externo ao seu ambiente, para atraírem mais negros e descendentes.

 

Para a diretora de Cidadania Corporativa da IBM no Brasil, Alcely Strutz Barroso, um caminho tem sido investir na preparação de mão de obra. “Há uma grande escassez de material humano na área de tecnologia, e a diversidade de candidatos é muito pequena ainda em razão da pouca escolaridade no País”.

 

Ela informa que a IBM tem apoiado associações como a Integrare – Centro de Integração de Negócios, uma organização não-governamental, para “fortalecer o ecossistema”.  No caso da companhia, com o envolvimento de funcionário para auxiliar na construção de planos estratégicos, em cultura empresarial.

 

Já a Bayer, diz Theo van der Loo, presidente da empresa no Brasil, tem incentivado políticas internas de gestão para ampliar os quadros de negros e descendentes. “Fizemos pesquisas internas, criamos um comitê de diversidade para tratar do assunto”, afirma.  O que falta, diz, é que ocorra “uma ascensão dos negros para cargos de chefia, o que é raro”.

 

Theo aponta um outro entrave comum entre as grandes empresas, que é o de identificar já na pré-seleção os candidatos de ascendência negra. “O funil é enorme na Bayer, ainda não temos como observar isso”, diz. A Basf oferece anualmente de 50 a 60 vagas de trainees, para as quais recebem mais de 20 mil currículos.

 

A Microsoft, que tem uma  política mais agressiva global para atrair negros e descendentes, tem trabalhado para oferecer ferramentas ao mercado  brasileiro para o recrutamento e seleção de candidatos.

 

Rodney Williams, negro, vice-presidente da Microsoft Brasil, explica que uma medida nesse sentido foi o desenvolvimento com a Prefeitura de SP para desenvolver o portal São Paulo Diverso.

 

“Lançamos há dois meses o portal, que é uma tentativa de conectar a prefeitura de SP com empresas multinacionais que queiram identificar e recrutar novos talentos”, diz Williams.

 

Ele lembra que, no Brasil, muitos candidatos negros sequer se candidatam a uma vaga na Microsoft. E, quando isto ocorre, não há como identificá-los no processo. “Precisamos criar outros mecanismos, mais capilarizados, para atrair jovens e profissionais negros para as empresas”, conclui