Economia

Reação empresarial

Disparada da moeda americana impacta custos e gera incertezas nas maiores empresas do País. Para os exportadores, a notícia só será boa se a volatilidade diminuir

Reação empresarial

Efeito dólar: segundo o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, os custos da companhia aumentaram 60% por conta da desvalorização do real (foto: Eliária Andrade / Ag. o Globo)

O dólar na casa dos R$ 4,00 não tem deixado apenas os turistas brasileiros frustrados. Empresas brasileiras com custos e dívidas em moeda estrangeira estão sofrendo as consequências, com impactos diretos em suas cotações na Bolsa de Valores. As ações da companhia aérea Gol, por exemplo, caíram 20% com a desvalorização recente, fechando em R$ 3,75 na quinta-feira 24. No início do ano, valiam cerca de R$ 15,00. Metade dos custos da companhia é apurada em dólar e 79,6% de sua dívida bruta, de R$ 6,8 bilhões, está atrelada a moedas estrangeiras.

Com a instabilidade cambial, esses custos aumentaram cerca de 60%, segundo declarações recentes de Paulo Kakinoff, presidente do grupo. Além do rígido controle de custos e a revisão da frequência de alguns destinos oferecidos, uma das saídas para atenuar a disparada do dólar é o aumento de tarifas. “O setor aéreo no País é um dos mais difíceis para se trabalhar, como pode ser visto na quantidade de empresas que deixaram de existir”, afirma Leila Almeida, responsável pelo setor de aviação da consultoria carioca Lopes Filho & Associados.

Para as siderúrgicas, à questão cambial se soma a um cenário já bastante adverso. Além da competição da produção asiática, o setor enfrenta um excesso de capacidade mundial, que vem sendo classificado como o maior desde a crise de 2008. Como são indústrias intensivas em capital, as companhias precisam trabalhar com um nível de endividamento mais alto, o que inclui passivos em dólar. Um relatório do banco de investimentos Itaú BBA sobre a CSN e a Usiminas, divulgado na quarta-feira 23, assustou o mercado ao chamar atenção para o excesso de exposição da dívida das duas empresas à desvalorização cambial.

As ações da CSN caíram 20%. No dia seguinte, a siderúrgica, comandada por Benjamin Steinbruch, informou que possui caixa para pagar parte das dívidas. O banco de investimento também se retratou e admitiu que o relatório era impreciso. No mercado, houve um certo alívio – as ações subiram 3,19% no fim do pregão. Não foi o suficiente, porém, para afastar a preocupação acerca do nível de endividamento da companhia. A relação entre a dívida líquida e Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é de 5,6 vezes, considerado muito alto pelos analistas.

Outro fator que tira o sono dos empresários é o impacto da alta do dólar sobre a inflação, que pode gerar uma reação equivocada do Banco Central. “Temo que se elevem ainda mais os juros”, afirma Daniel Randon, vice-presidente da Randon, produtora de autopeças e lonas. “É a única medida que o governo tem tomado para combater a inflação e está impactando em todos os negócios dentro do País.” Só neste ano, a taxa básica subiu 2,5 pontos percentuais, para 14,25%, o maior nível desde meados de 2006.

A própria Randon exemplifica bem esse problema. A evolução dos juros acentuou a recessão e derrubou o faturamento em quase 30%, no segundo trimestre. A queda só não foi maior porque vem sendo compensada pelas receitas com vendas externas, que subiram 6,6%. “Ganhamos competitividade, mas temos de ter cuidado: é uma competitividade de curto prazo, artificial”, diz o executivo. Mesmo grandes exportadores avaliam a desvalorização cambial com cautela. A Fibria, maior fabricante de celulose do mundo, aproveita o bom momento da commodity e o dólar forte para ganhar competitividade, já que 90% de sua receita está atrelada à moeda estrangeira.

Por outro lado, a sua dívida deve crescer R$ 2 bilhões com a desvalorização recente, para cerca de R$ 11 bilhões. Para Marcelo Castelli, presidente da Fibria, a cotação ideal é próxima a R$ 3,50. “Creio que o dólar foi para o patamar certo pelos motivos errados”, afirma Castelli. “No entanto, o real fraco pode ser bom no curto prazo para algumas empresas, mas é ruim para o País no longo prazo.” É o mesmo momento pelo qual passa a SLC Agrícola, uma das maiores produtoras agrícolas brasileiras.

Com o impacto positivo sobre as exportações, a companhia viu seu faturamento subir 19,1% no segundo trimestre deste ano, para R$ 470,9 milhões. Seu lucro quase triplicou, de R$ 25,3 milhões para R$ 74,6 milhões. Aurélio Pavinato, presidente do grupo gaúcho, contudo, não está pulando de alegria. “Não podemos reclamar do dólar alto, mas da sua volatilidade”, afirma Pavinato. “Traz insegurança não saber o que vai acontecer no dia seguinte.”

Mesmo assim, os benefícios do câmbio para quem produz internamente, como a indústria, já se fazem sentir. Segundo o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, a forte desvalorização do real está começando a mudar os padrões da produção no Brasil. Presidente da filial brasileira da montadora chinesa de caminhões Foton, ele diz que com a nova taxa conseguirá vender na América Latina um veículo de 10 toneladas pelo mesmo preço cobrado pela matriz. “A indústria não vai mais comprar tudo o que hoje compra da China.”

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