Economia

Grécia à deriva

Impasse grego mostra à União Europeia, nesta primeira grave crise da Zona do Euro, que uma moeda comum é incapaz de igualar politicamente países diferentes

Grécia à deriva

Boia de salvação: Aposentado em praça de Atenas aguarda decisão sobre novo resgate grego (foto: AFP PHOTO / ARIS MESSINIS)

A proposta entregue pelo governo do primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, para os dirigentes da União Europeia, no final da noite da quinta-feira 9, mostra que nessa queda de braço com seus credores não há vencedores. Para conseguir o terceiro resgate financeiro em cinco anos, a Grécia concorda em aumentar impostos, cortar benefícios sociais e promover um grandioso ajuste fiscal, com um superávit de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) já neste ano. Até 2018, o país pede mais € 60 bilhões, que irão se somar aos € 240 bilhões já repassados pela troica, o triunvirato financeiro formado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia (CE).

A avaliação da proposta foi marcada para o domingo 12, com grandes chances de aprovação. Há mais semelhanças do que divergências com as demandas do FMI. À primeira vista, Tsipras pareceu sem saída e teve de ceder às exigências de austeridade dos dirigentes europeus. No entanto, é bem provável que o primeiro-ministro grego sabia que essa era a única saída para o país, que teria um custo muito maior (principalmente social) se deixasse a zona do euro. Mas, ao se manter firme em todo o processo de negociação, Tsipras, fortalecido internamente pela vitória do “não” no plebiscito realizado no domingo 5, alertou o mundo que uma moeda comum não é capaz de igualar países politicamente distintos.

Desde 30 de junho, quando venceu a primeira parcela de empréstimo de € 1,6 bilhão feita pelo FMI, a Grécia está à deriva. O país navega sozinho ao tentar mostrar que os esforços que tinham sido feitos nos últimos anos promoveram um desajuste difícil de ser consertado, com desemprego de mais de 20% no país (50% entre a população entre 25 e 35 anos) e uma redução de 25% na produtividade. Seu PIB per capita é o mais baixo da União Europeia e 80% de sua economia depende do setor de serviços.

Mas se Espanha, Irlanda e Portugal seguiram a receita da autoridade monetária comum e estão pagando o preço do ajuste fiscal, por que com a Grécia seria diferente? O principal inconformado com os pedidos de Tsipras é o ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, que se transformou no mais ferrenho adversário da permanência da Grécia na zona do euro. Para ele, seu desembarque da moeda comum permitiria uma maior estabilidade ao euro. A palavra “Grexit” passou a ser uma das mais repetidas pelos alemães. “Schauble não estava realmente tentando encontrar uma solução”, disse o economista Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia. “Ele estava provocando a Grécia para sair do euro.”

Uma saída traumática da Grécia da moeda comum provocaria um impacto não calculado sobre os bancos privados europeus, que carregam cerca de € 60 bilhões dos títulos da dívida grega. A volta de um novo e desvalorizado dracma seria capaz de provocar uma crise semelhante à da Rússia em 1998. “O Brasil e os países emergentes seriam os principais prejudicados caso esse cenário se concretizasse”, diz o professor de finanças do Insper Ricardo Humberto Rocha. A solução para a crise econômica grega não livra a União Europeia de uma profunda reflexão sobre suas contradições políticas. Pelo bem da moeda comum.

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