Economia

11 personagens centrais da Lava Jato

Prestes a completar um ano, operação da Polícia Federal revelou uma história digna das melhores séries de TV

11 personagens centrais da Lava Jato

Sérgio Moro: juiz que coordena a Lava Jato tornou-se o pesadelo de políticos, empreiteiros e doleiros

A fase de investigações públicas da Operação Lava Jato completará um ano na próxima terça-feira 17. Lançada pela Polícia Federal, com o apoio do Ministério Público e da Justiça, a Lava Jato revelou um enredo à altura das melhores séries de TV, com personagens poderosos e ramificações na política, nos negócios e no submundo das finanças.

Um dos pontos altos da operação foi a divulgação, em 6 de março, da lista de 47 políticos que serão investigados por suposto envolvimento no esquema de corrupção descoberto na Petrobras. Apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), a relação causou um terremoto em Brasília, ao envolver parlamentares da base aliada e da oposição.

Confira, a seguir, 11 personagens fundamentais para entender a trama:

Sérgio Moro: o juiz da 13ª vara federal criminal de Curitiba tornou-se o terror de políticos, empresários e doleiros. É Moro quem coordena a Operação Lava Jato, que desbaratou o esquema de corrupção da Petrobras. Considerado um homem de hábitos simples, ele foi eleito “O Brasileiro do Ano de 2014” pela revista IstoÉ, Moro já coordenou outras investigações de peso, como a Farol da Colina, que desarticulou uma rede de 60 doleiros – incluindo o agora famoso Alberto Youssef.

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Rodrigo Janot: o Procurador-Geral da República também é uma figura central na operação, por coordenar as apurações sobre envolvidos com foro privilegiado, como parlamentares com mandato. Em 6 de março, foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal a instaurar inquéritos contra 47 políticos, incluindo a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney; senadores e deputados aliados ao governo Dilma; os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros; e o senador tucano Antonio Anastasia. Janot foi indicado por Dilma para o cargo em agosto de 2013, e seu mandato vence neste ano. Ao indicá-lo, a presidente destacou que o magistrado reunia “todos os requisitos para chefiar o Ministério Público com independência, transparência e apego à Constituição.” Na ocasião, ela classificou sua carreira como “brilhante”. Agora, a base aliada ameaça não renova o mandato de Janot, devido à sua atuação na Lava Jato.

Teori Zavascki: o catarinense foi indicado pela presidente Dilma, em 2012, para o Supremo Tribunal Federal. A indicação foi entendida, na época, como uma resposta favorável da presidente ao PT, que a pressionava a nomear alguém alinhado ao partido. Quando estava no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Zavascki, por exemplo, foi um dos dois ministros que votou contra a prisão do então governador do Distrito Federal José Roberto Arruda – cassado posteriormente. Ele também rejeitou um pedido do Ministério Público para investigar o ex-ministro Antônio Palocci. Agora, ocupando uma cadeira no STF, Zavascki é o responsável por relatar a Lava Jato na corte. Na semana passada, autorizou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a investigar 47 políticos – sendo 46 ligados ao governo de Dilma.

Paulo Roberto Costa: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras foi um dos primeiros presos pela Operação Lava Jato, após o início das diligências públicas. Em 20 de março de 2014, a Polícia Federal anunciou sua prisão, após detectar que Costa e seus familiares estavam destruindo provas do caso. Indicado ao cargo pelo PP e, posteriormente, apoiado também pelo PMDB, o ex-diretor aceitou um acordo de delação premiada em agosto. Revelou, então, um esquema de corrupção que desviava 3% dos pagamentos de obras e projetos ao PT, PMDB e PP, partidos da base de Dilma.

Nestor Cerveró: o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras foi jogado na fogueira pela própria presidente Dilma. Antes de a crise da Lava Jato se agravar, surgiram denúncias de que a compra de uma refinaria em Pasadena (EUA), pela Petrobras, fora superfaturada e teve parte de seus recursos desviada. Como o negócio ocorreu em 2006, quando Dilma presidia o conselho de administração, o Planalto foi forçado a se manifestar. A presidente afirmou que aprovou a aquisição, na época, com base em um relatório incompleto da diretoria de Cerveró. Foi o suficiente para inflamar as suspeitas. Em 14 de janeiro deste ano, o ex-diretor foi preso pela Polícia Federal e envolvido na Lava Jato.

Pedro Barusco: ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, Barusco também optou pela delação premiada. Nos depoimentos, Barusco afirmou que recebia propinas desde os anos 90 da holandesa SBM para intermediar contratos. Disse, porém, que a corrupção na Petrobras só se tornou “sistemática”, após a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a nomeação de Renato Duque, ligado ao PT, para a diretoria de Serviços. Por envolver um executivo próximo aos petistas, sua colaboração preocupa o governo. Com base em suas revelações, a PF lançou a terceira fase da Lava Jato, batizada de “My Way” – a forma como Barusco se referia a Duque, que o teria oficializado na função de operador do esquema.

Renato Duque: ex-diretor de Serviços da Petrobras, Duque foi indicado pelo PT e seu envolvimento no caso é considerado altamente perigoso para o partido. Ele foi envolvido na Lava Jato por seu braço direito na estatal, Pedro Barusco. Preso pela PF, Barusco fechou um acordo de delação premiada e afirmou que Duque participava do esquema de desvio de dinheiro.

Alberto Youssef: considerado o maior doleiro e especialista em lavagem de dinheiro do País, Youssef já é um velho conhecido da Justiça. Sua carreira começou em Londrina, onde contrabandeava aparelhos eletrônicos do Paraguai. Após conhecer políticos da região, descobriu o mercado de lavagem de dinheiro e deu uma guinada. Youssef envolveu-se no escândalo do Banestado, no qual bilhões de reais foram desviados do banco paranaense para contas em paraísos fiscais. Agora, ressurge no centro da Lava Jato, intermediando o repasse da propina para os envolvidos.

João Vaccari Neto: no mesmo dia em que autorizou o procurador geral a investigar 47 políticos, o STF também deu sinal verde para que seja aberto um inquérito contra o tesoureiro nacional do PT. Para o procurador geral da República, Rodrigo Janot, Vaccari Neto era um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras. No início de fevereiro, a Polícia Federal cumpriu um mandado de condução coercitiva e conduziu o petista até sua sede em São Paulo. Vaccari Neto teve de depor sobre supostos pedidos de doação ilegal para o PT. A acusação partiu de Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, que concordou em fazer uma delação premiada.

Eduardo Cunha: o presidente da Câmara é um dos políticos que serão investigados pelo Ministério Público, a partir da autorização do STF, no início deste mês. Deputado federal pelo PMDB, Cunha seria um dos beneficiados pelo esquema da Lava Jato, segundo o doleiro Alberto Youssef. O elo de ligação seria o policial Jayme Alves de Oliveira Filho, um dos “carregadores de mala” de Youssef e apontado como responsável pelas entregas de dinheiro a Cunha. O peemedebista atribuiu sua inclusão na lista de Janot a manobras da presidente Dilma, de quem é desafeto, com o objetivo de domá-lo, já que ele conquistou a presidência da Câmara com um discurso praticamente de oposição ao governo. Em depoimento espontâneo à CPI da Petrobras, Cunha classificou o pedido de Janot de “piada”.

Renan Calheiros: o presidente do Senado é citado por Janot como um dos beneficiados de um esquema de pagamentos a sindicatos que oferecem treinamento a funcionários da Petrobras. O inquérito é baseado nas delações premiadas negociadas com a Justiça. Um apadrinhado de Renan, Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, também foi envolvido na investigação. A PF encontrou, entre as anotações de Paulo Roberto Costa, referências a supostos pagamentos a Machado. Ao ser listado por Janot, Renan afirmou que dará “todas as explicações à luz do dia”.