Economia

A força dos BRICS

Líderes do bloco emergente se reúnem em Fortaleza e Brasília para formalizar a criação de um “mini-FMI” em busca de ampliar sua influência mundial

A força dos BRICS

Interesses comuns: chefes de Estado de Índia, China, África do Sul, Brasil e Rússia (da esquerda para direita, em foto de 2013); líderes criarão fundo contra crise (foto: Divulgação)

A sigla criada em 2001 para agrupar as economias mais promissoras das próximas décadas ganhou corpo político, nos últimos anos, com o esforço dos líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e, depois, África do Sul, para transformar o acrônimo num grupo de verdade e influente. Nesta semana, os BRICS dão um passo decisivo para ganhar musculatura econômica. Na sétima reunião de cúpula, que acontece nesta terça-feira 15, em Fortaleza, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Damodardas Modi, e os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da China, Xi Jinping, e da África do Sul, Jacob Zuma, se juntam à presidenta Dilma Rousseff para criar o que os próprios sócios definiram como um “mini-FMI”. Os cinco chefes de Estado vão assinar o documento que cria o banco de fomento, com capital inicial de US$ 50 bilhões, e participações iguais dos integrantes.

O banco será sediado em Xangai, na China, como ficou decidido em reunião preliminar na quarta-feira 9, na Rússia, e vai financiar projetos de desenvolvimento e infraestrutura nos países-membros ou em outros países da região. Outro projeto que sai do papel é o Acordo de Reservas de Contingência (CRA). Trata-se de um fundo de US$ 100 bilhões, com US$ 41 bilhões cedidos pela China, US$ 18 bilhões por Índia, Brasil e Rússia, e US$ 5 bilhões pela África do Sul. Servirá como um colchão de proteção contra crises cambiais ou de liquidez, reduzindo a dependência dos emergentes em relação a instituições como o próprio Fundo Monetário Internacional, onde esses países são sub-representados.

“É uma linha de defesa adicional para os países dos BRICS em cenários de dificuldades de pagamento”, diz o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral político II do Ministério das Relações Exteriores. Serão assinados ainda outros dois acordos de cooperação técnica, entre os bancos de desenvolvimento e as agências de garantia de crédito. Além das reuniões de governo, Fortaleza será palco de um grande encontro, com a presença de 860 empresários dos cinco países.

Um grupo de exatos 602 executivos participa, ainda, de outro evento, na noite da terça-feira 15: um business networking, com dez grupos temáticos, nos quais cada executivo se encontra com três colegas de outras empresas. O maior interesse envolveu os grupos que vão discutir projetos em infraestrutura. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que organiza o evento, estima que podem ser fechados negócios num total de R$ 68 milhões. No dia seguinte, quarta-feira 16, os líderes dos BRICS se encontram em Brasília com os presidentes dos 12 países da América do Sul.