Economia

Erva lucrativa

A liberação da venda de maconha no Estado americano do Colorado mostra o potencial de um mercado bilionário


Entre os efeitos mais comuns do uso da maconha está a sensação de relaxamento, deixando o usuário “zen”. Esse estado, no entanto, é o oposto ao da euforia que atingiu investidores nos últimos meses, após a liberação do consumo da erva e seus derivados em determinados Estados americanos, como o Colorado e Washington. Em jogo, um lucrativo mercado que pode chegar a US$ 30 bilhões ao ano, quase a metade do que movimenta a indústria legal de tabaco nos EUA, segundo a Marijuana Policy Project (MPP), uma das associações que têm lutado pela liberalização do baseado, para outros usos que não apenas o medicinal.

 

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Baseado liberado: a expectativa é de que o consumo da cannabis e seus derivados

cresça após formalização do mercado

 

Um dos sinais do futuro promissor desse negócio é o desempenho das ações das empresas que operam com maconha, listadas na OTC Markets, uma bolsa dedicada a empresas de menor porte, sediada em Nova York. Do início do ano até agora, alguns papéis acumulam altas superiores a 800% (leia o quadro ao lado). A aposta dos investidores baseia-se na atração de um número cada vez maior de usuários interessados no uso recreativo da erva. É certo, no entanto, que as ações dessas empresas possuem pouca liquidez e são chamadas de “penny stocks”, papéis que valem alguns centavos de dólar e, portanto, ficam suscetíveis a bruscas variações. 

 

“As empresas desse setor estão na vanguarda de uma indústria nascente, que pode ser o próximo mercado multibilionário”, diz Osman Ghani, analista da corretora BrokerBank Securities, de Minneapolis. E foi exatamente o potencial bilionário da cannabis que incentivou um grupo de investidores a criar o HT Growth Fund, um fundo que tentará captar US$ 100 milhões em um prazo de dois anos para investir nas companhias do setor. Esse tipo de iniciativa ganhou força após o início, em 1º de janeiro, da venda de maconha para fins recreativos no Colorado. Em meados do ano será a vez do Estado de Washington. Há, ainda, 19 Estados americanos que, por enquanto, permitem a venda da erva apenas para uso medicinal. 

 

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Catálogo recheado: a Medicine Man, de Denver, oferece diariamente a seus clientes

até 30 tipos de maconha, dos 70 que cultiva

 

Na América do Sul, o Uruguai foi o primeiro a liberar a produção e a venda da maconha, que deve ter início em abril. As perspectivas positivas nos Estados Unidos esbarram em alguns entraves. As lojas que vendem maconha e seus derivados estão amparadas por leis estaduais. No entanto, movimentar o dinheiro desse negócio tem sido um pouco mais difícil, já que os bancos americanos estão submetidos a um arcabouço de leis federais, que ainda consideram a substância uma droga ilegal. A Associação Americana de Bancos reconhece esse problema e afirma que, sem mudança na lei federal, não há o que fazer. 

 

“Os banqueiros consideram um risco muito grande envolver-se nesse negócio”, diz Rob Rowe, vice-presidente da entidade. Por conta dessa limitação, algumas lojas que comercializam o produto não aceitam cartões de débito ou crédito como forma de pagamento, por exemplo. E mesmo nas que conseguiram abrir uma conta para oferecer a maquininha a seus clientes, tem sido difícil o acesso a crédito para expandir o negócio. Ainda assim, os lojistas estão satisfeitos com os resultados alcançados até aqui. 

 

Elan Nelson, consultor de negócios da Medicine Man, localizada em Denver, capital do Colorado, relata que as vendas triplicaram desde o dia 1º de janeiro, em relação ao período em que eram apenas vendidos produtos para fins medicinais. “Nós estamos expandindo as nossas instalações destinadas ao cultivo para atender ao aumento demanda”, diz Nelson. Segundo ele, a empresa cultiva 70 tipos de maconha, dos quais entre 20 e 30 estão disponíveis na loja. Já a Denver Relief, também de Denver, tem aceito pagamentos com cartões de débito, mas ainda não iniciou a venda para o uso recreativo. Isso porque, explica Dan Ericson, gerente da loja, é preciso ampliar a equipe dos atuais 14 para 22 funcionários. “Vamos também expandir nossa área de plantio para acompanhar a demanda”, diz Ericson. 

 

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