Economia

Qual é o rumo do governo Lula?

Na reunião ministerial da segunda-feira 12, o presidente Lula estará rodeado de caras novas. Dez dos 37 ministros entregaram seus cargos para disputar as eleições de outubro, abrindo espaço para aliados políticos e técnicos de dentro dos ministérios. Não houve surpresas nas mudanças. Mas a mudança mais esperada no corpo ministerial não ocorreu.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, esperou até os 45 minutos do segundo tempo para anunciar que permaneceria no posto. Num encontro com a imprensa no início da noite da quinta-feira 1º, Meirelles, ao lado de toda a diretoria do BC, disse que atendeu a um apelo de Lula.
 

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Lula, no itamaraty, na quarta-feira 31: ele disse que o governo tem muita coisa a fazer até o fim de 2010

O presidente do BC não passará seus últimos meses na função apenas cumprindo tabela. A grande preocupação do governo na área econômica é justamente a perspectiva de aumento da inflação, o que abre a discussão sobre medidas impopulares como aumento dos juros. A avaliação da ata do Copom de março é confirmada pelo relatório de inflação, que prevê uma taxa de 5,2% no fim de 2010 e de 4,9% no fim de 2011, ambas acima da meta de 4,5%.

?O presidente argumentou que ficaria mais tranquilo se eu permanecesse no posto, pois assim não haveria qualquer ruido no ambiente interno e no ambiente externo?, disse Meirelles à DINHEIRO, minutos depois de encerrar seu anúncio. ?A inflação será minha prioridade. Meu compromisso é com a estabilidade, e a via eleitoral não é o melhor caminho para isso.? No comando dos demais ministérios, haverá muita gente nova, mas pouca novidade, como enfatizou o próprio presidente no anúncio do PAC 2.

?Quem quiser ficar, sabe que vai trabalhar o dobro?, afirmou. Os desafios para os novatos serão grandes. Caberá a eles acelerar as obras do governo ? importantíssimas para a campanha da candidata Dilma Rousseff. Há uma montanha de dinheiro para isso: R$ 30 bilhões previstos no orçamento de 2010 e outros R$ 55 bilhões rolados de anos anteriores. Mas terão que domar a burocracia estatal e liberar recursos até o fim de junho, quando começam as limitações de gastos impostas pela lei eleitoral e o recesso branco no Congresso.

Na reunião da segunda-feira, Lula cobrará empenho na execução das obras de infraestrutura já anunciadas. O único grande projeto a ser lançado ainda este ano é o Plano Nacional de Banda Larga. Ainda assim, a implementação ficará para o futuro governo. O governo desistiu de projetos como o Código Mineral e a Consolidação das Leis Sociais para tornar perenes as políticas sociais da era Lula.

A agenda legislativa se resumirá à aprovação de medidas provisórias e do marco regulatório do pré-sal. ?A prioridade é o pré-sal. Não há tempo para novas propostas?, avalia o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). ?Não há clima para propostas polêmicas?, reforça o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

A ênfase nos projetos de infraestrutura concentrará as pressões sobre os ministérios que formam o braço executor do PAC: Cidades, Transportes e Integração Nacional. Apenas em saneamento básico (Cidades), transposição do São Francisco (Integração) e construção de ferrovias como a Norte-Sul e a Transnordestina (Transportes), são mais de R$ 8 bilhões para serem gastos em 2010.

Na avaliação de empresários, a escolha de substitutos familiarizados com os projetos em curso deve contribuir para que o ritmo de execução das obras seja mantido. O novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, por exemplo, é velho conhecido do setor. ?Ele foi secretário-executivo desde o primeiro governo Lula, foi ministro interino e participou da elaboração das duas versões do PAC?, diz José Alberto Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias.

Empossado ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann é outro que traz tranquilidade para o mercado. Como secretário-executivo da pasta, ele já era o responsável pelos projetos mais importantes, como a usina de Belo Monte, cujo leilão está marcado para o dia 20 de abril. Enfim, os novos ministros farão mais do mesmo.

 

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