Economia

A multinacional engajada

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“A Philips tomou um gesto cívico e apartidário”

PAULO ZOTTOLO, presidente da Philips no Brasil

 

Sexta-feira, 27 de julho. O acidente com o avião da TAM completava dez dias quando a Philips estampou anúncio de meia página em vários jornais. No espaço, nenhuma palavra sobre televisores ou qualquer tecnologia de ponta associada à multinacional holandesa. Para surpresa do mercado, o anúncio trazia uma carta assinada pelo presidente da companhia no Brasil, Paulo Zottolo, declarando apoio a um movimento de insatisfação com a País encabeçado pela OAB-SP. “A Philips, por meio do movimento Cansei, quer mostrar sua indignação com diversas situações que têm abalado o País”, dizia o texto, que conclamava os funcionários a aderirem a um minuto de silêncio no dia 17 de agosto. Era um engajamento inédito para uma multinacional Latina. O documento suscitou reações inesperadas. Facções do PT tacharam o “Cansei” de oposicionista e até golpista. Zottolo assumiu os riscos – e não se arrepende. “A Philips tomou um gesto cívico e apartidário”, disse à DINHEIRO. “Somos uma empresa cidadã, queremos suscitar discussões positivas para o Brasil e vamos conseguir.”

Zottolo é um empresário ligado a causas sociais, tem direito a se engajar, mas sua estratégia foi arriscada. De um lado, especialistas em imagem corporativa aplaudem a iniciativa. “A adesão a movimentos cívicos é muito bem vista pelo consumidor”, aponta Emmanuel Dias, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing. “A mensagem transmite os valores da marca sem incorrer no erro de cair no tom partidário”, reforça Antônio Fadiga, presidente da agência Fischer América. Ocorre que a iniciativa foi lançada no momento em que o governo se via vítima de uma suposta conspiração para vincular o acidente da TAM à inépcia gerencial do Planalto. E o próprio Lula reagiu ao movimento com uma ameaça, dizendo que ninguém é capaz de colocar mais gente na rua do que ele. Isso é fato. Dias depois do “Cansei”, a CUT lançou o “Cansamos”, e seu presidente, Arthur Henrique da Silva, criticou a postura da Philips. “Eles estão fechando fábricas e agem como se não tivessem nada a ver com o que acontece no Brasil.”


 

“Somos uma empresa cidadã. Queremos suscitar debates positivos e conseguiremos”


“Não acredito em represálias. Se isso existisse, teríamos de fazer a Revolução do Cansei”



Não foi a primeira vez que a Philips aderiu a uma causa cívica. Essa, aliás, é uma tradição da empresa, que não se priva de posicionamentos contundentes em temas sociais. Assim foi em 2002, quando lançou o programa Voto Cidadão. Mais recentemente, a própria companhia iniciou um movimento para a substituição gradual de lâmpadas incandescentes por outras de baixo consumo. E no Brasil, foi contra o modelo de TV digital escolhido pelo governo, além de ter criticado um programa de incentivos na Zona Franca, que estaria favorecendo a LG. Fez tudo isso sem se esconder atrás de nenhuma entidade, comportamento usual entre as multinacionais, que preferem não correr risco de sofrer represálias do governo. Conselho inclusive ouvido por Zottolo. “Algumas pessoas me disseram: cuidado, você vai se expor”, admitiu à DINHEIRO. E completou. “Expor a quê? Não acredito em represálias. Se isso acontecesse teríamos de fazer a Revolução do Cansei”, diz ele.

Zottolo terá a oportunidade de explicar sua postura ao governo. No dia 18, se reúne com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Irá dizer que a filial da Philips pleiteia o papel de centro de desenvolvimento de produtos para países emergentes da companhia. O plano é atrair investimento e nova fábrica. Objetivo que ele acredita não será prejudicado por arranhões na imagem da marca após o Cansei. “Minha esperança é que as pessoas percebam que a Philips é uma empresa que exerce seu direito à cidadania”, disse ele. “Só isso.”

 

 

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