Economia

Varig vai à leilão


Começa em 30 dias um novo capítulo na história de 79 anos da Varig. Nessa data será publicado no site da empresa na internet o seu edital de Alienação Judicial e as regras do leilão no qual ela será vendida. O leilão terá lugar dois meses depois do edital. Duas opções de compra serão oferecidas ao mesmo tempo. Na primeira, que despertou o interesse de fundos de investimento, as operações de vôo da Varig serão oferecidas sem o passivo de R$ 7,5 bilhões. Nesse modelo, o lance mínimo será de US$ 860 milhões e quem vencer terá comprado as rotas nacionais e internacionais e o leasing de 55 aeronaves. Na segunda opção, apenas a Varig nacional será leiloada, também sem passivo, com lance mínimo de US$ 700 milhões. Para esse negócio, apenas as empresas nacionais ? que já possuem concessão do governo ? podem concorrer. Nos dois casos, somente a Varig que voa, chamada de Operacional, será leiloada, e sua parte internacional não será entregue separadamente. Se não for arrematada como parte do pacote total, vai se integrar às operações de terra e ao passivo. Em qualquer modelo, os atuais administradores continuam com a Varig que não sai do chão e sua dívida, que será chamada de Varig Relacionamento. Ela prestará serviços à Varig leiloada: venda de bilhetes, controle do programa Smiles de milhagem e serviços aeroviários como balcão de atendimentos e operações na pista. ?O modelo que vai despertar interesse é o que tem as rotas internacionais?, opina o economista Paulo Rabello de Castro, que assessora os funcionários da Varig na definição das regras do leilão. ?Nas rotas nacionais a Varig perdeu espaço e tem hoje apenas 15% do mercado.?

Recém-divulgadas, essas normas ainda não foram digeridas pelos potenciais compradores da companhia. No final da semana passada, eles hesitavam em se pronunciar sobre a disputa. ?Posso dizer apenas que temos interesse, mas as regras não estão claras?, disse Carlos Ebner, presidente da OceanAir. O executivo não acredita em leilão com muitos participantes, uma vez que as regras da aviação brasileira restringem a participação de estrangeiros a 20% do controle acionário. Mesmo assim, grupos internacionais vêem a marca Varig como uma boa oportunidade de negócios. Uma fonte ligada ao empresário russo Boris Berezovski revelou à DINHEIRO que nesta semana chega ao País uma equipe de profissionais comandada pelo próprio investidor para tratar especificamente do leilão da Varig. O russo sabe que terá de associar-se a um grupo nacional, de preferência do ramo aéreo. Já falou com TAM e Gol mas nada ficou acertado. ?Ele está no jogo, sabe que há 60 dias de prazo, mas tem certeza de que tudo se definirá antes?, diz um interlocutor do empresário. Isabel Palma, porta-voz da companhia portuguesa TAP, é clara. ?Mantemos nosso interesse na Varig e estamos acompanhando passo a passo a evolução do processo?, diz ela. Um dos entraves que os especialistas enxergam para o leilão é a insegurança jurídica. Os compradores da Varig podem ?herdar? parte dos enormes passivos da companhia. Esse risco é aventado pelo representante de um fundo de investimento americano que não quis se identificar. O professor Rabello reconhece o problema. ?Quando se compra uma velhinha de 80 anos há sempre o risco de se assumir um passivo?, diz. Na semana passada, a Procuradoria Geral da Fazenda confirmou oficialmente que nos dois modelos de compra oferecidos no leilão há risco de ?sucessão de dívida?. Será que a novela continua?