Economia

Caro empresário…


O ministro Tarso Genro finaliza uma carta ao setor produtivo. Ela promete metas de expansão para o PIB e impostos menores, além da garantia de gastos mínimos em infra-estrutura. Será a nova versão da Carta ao Povo Brasileiro, que o PT redigiu em 2002 para tranqüilizar os mercados e assegurar que não promoveria rupturas. Daquela vez, o responsável pelo documento foi Antônio Palocci, que coordenou o programa de governo de Lula. A ordem era sinalizar continuidade. Hoje, quem redige a carta de 2006 é Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais. Ela será divulgada em julho, junto com o anúncio da candidatura de Lula à reeleição, e irá propor mudanças. ?Já criamos as condições para ousar na economia?, disse Genro à DINHEIRO. ?Vamos sugerir um piso mínimo para o crescimento e um teto para a inflação?, revelou. Tarso defende uma meta de expansão do PIB não inferior a 4,5% nos próximos quatro anos. A inflação terá de ser compatível com esse nível de atividade, desde que não se aproxime de dois dígitos. Na infra-estrutura, ele sugere a aplicação de R$ 30 bilhões ao ano. ?Isso sinaliza um Estado forte e indutor do desenvolvimento?, diz ele. No que diz respeito aos impostos, a idéia é que a carga tributária também tenha um teto ? decrescente ano a ano. Afora isso, Tarso defende que a oposição se comprometa a manter dois programas sociais do governo Lula caso vença as eleições: o Bolsa-Família, de distribuição de renda, e o Pró-Uni, que cria vagas nas universidades para estudantes pobres. ?É o mínimo para garantir coesão social no País?, diz o ministro. Na quinta-feira 1, Tarso teve a chance de testar suas idéias no Fórum de Líderes Empresariais, evento repleto de altos executivos, em São Paulo. No encontro, fez-se uma pesquisa sobre intenção de voto: 93% declararam apoio ao tucano Geraldo Alckmin e apenas 5% a Lula. Tarso não se incomodou. ?Se fosse feita com os empregados que serviram o almoço, a pesquisa daria o resultado inverso?.