Economia

10 perguntas para Michael Rogowski


DINHEIRO ? A Alemanha já foi a segunda maior investidora no Brasil. Hoje não está nem entre as cinco. Por quê?
ROGOWSKI ? As companhias alemãs precisaram investir na reunificação da Alemanha nos anos 90. Sem contar a chegada de novos países-membros na União Européia, que oferecem um custo de produção bastante atraente. Mas não podemos esquecer que investir no Brasil era algo arriscado pela instabilidade econômica.

Não há um efeito China nessa redução?
A China tem um enorme mercado e as companhias precisam estar lá. Além disso, a China conta com uma política de incentivos, de atração de empresas. É parecido com o que aconteceu com o Brasil há trinta anos. O bom é que as multinacionais têm mais opções para selecionar o destino de seus investimentos.

O Brasil pode enfrentar a China?
O ponto é se haverá continuidade na política econômica. E ainda há obstáculos para atrair recursos. A burocracia é um deles. No Brasil, você gasta muito tempo para transformar decisões de investimentos em atos.

O sr. se refere ao tempo gasto para abrir uma empresa e liberar investimentos por aqui?
Sim. E também há uma complexidade no sistema de impostos que está muito ligado à burocracia.

Mas é só a burocracia que emperra…
O Brasil também precisa de um incremento econômico, algo como 5% ao ano durante um bom tempo. Eu espero que o Brasil seja capaz de diminuir a sua taxa de juros passo a passo, porque isso incrementará a economia.

Qual a sua visão sobre a recente alta dos juros?
A taxa de juros precisa ser vista no contexto de inflação. E combater a inflação deve ser prioridade número um. Mas, por outro lado, a carga real de juros é extremamente alta no Brasil. Duvido que esse aumento fosse necessário. Minha experiência diz que incremento da atividade econômica está ligado a redução de taxas. Quando um Estado aumenta a carga, tira dinheiro das companhias, do mundo real. Isso mostra que o Estado é um mau gerente.

Qual é a imagem que as indústrias alemãs têm do presidente Lula?
No começo, ficamos céticos a respeito da manutenção das políticas econômicas. Mas Lula manteve a trajetória da economia. Não há razão para queixar-se do governo Lula.

Como o sr. vê as possíveis relações comerciais entre União Européia e Mercosul?
Há necessidade de uma maior flexibilidade em alguns pontos, como a agricultura, por parte da Europa. O Mercosul precisa estabelecer uma flexibilidade similar, o que inclui as tarifas de importação.

O senhor acompanhou os últimos conflitos entre Brasil e Argentina?
Acho que seria estúpido se os dois países não estabelecessem um entendimento. Brasil e Argentina têm uma forte relação política, econômica e faz todo sentido criar um mercado comum.

Qual sua opinião sobre os subsídios concedidos aos agricultores europeus?
A opinião da Alemanha é bem clara. Nós temos que reorganizar a política de agricultura na Europa e reduzir subsídios. Temos que nos abrir a outros países, como o Brasil. Eu acredito que a consciência sobre essa necessidade está crescendo na Europa.