Economia

Bateu em 50


Primeiro, o petróleo subiu em razão dos atentados no Iraque. Depois, veio a crise da Yukos, na Rússia. Em seguida, o furacão Ivan atingiu o México. Desta vez, a causa é o conflito na Nigéria, que levou a Shell a cortar a produção. Somando tudo, o barril alcançou, na terça-feira 27, o valor simbólico de 50 dólares, acumulando alta de 55% no ano e disparando o alarme global. O JP Morgan, por exemplo, previu que a cotação irá atingir 61 dólares, desencadeando um movimento de alta de juros e retração da demanda mundial. No Brasil, os analistas, cada vez mais, questionam a direção da Petrobras, que estaria represando um aumento por razões políticas. ?A discussão não é mais se a Petrobras deve reajustar ou não os preços, mas apenas quando isso ocorrerá?, avalia Emerson Leite, analista do banco CSFB. De acordo com as suas contas, a defasagem dos preços da gasolina e do óleo diesel no mercado brasileiro hoje seria de 18% e 27%. Na estatal, o presidente José Eduardo Dutra evita falar em reajustes. ?Não podemos sancionar a volatilidade?, afirma. O mercado, porém, aposta que aumentos virão ? só que depois das eleições de 3 de outubro.

Nos últimos meses, a Petrobras queimou a gordura que acumulou no ano passado, quando manteve preços acima da média internacional. O colchão, que era de US$ 2 bilhões em 2003, caiu a R$ 245 milhões em junho e hoje estaria negativo em R$ 700 milhões, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura. No governo passado, os preços seguiam a cotação internacional. Tal política, porém, foi revista no governo Lula, o que ampliou o poder da Petrobras. Para o mercado, Dutra terá de decidir se irá agir ? ou não ? em favor dos acionistas da Petrobras.