Economia

Empreiteiras contra Tasso


Sempre que se vê diante de um microfone, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) usa sua verve para atacar o projeto das Parcerias Público-Privadas, principal aposta do governo federal para tirar do atoleiro o setor de obras públicas. O mais recente ataque foi feito na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. ?É o sonho dourado das empreiteiras dos anos 50, um convite à corrupção e à maior promiscuidade da história do País?, bradou o senador. Atônitos, os empresários que viram a cena, entre os quais vários empreiteiros, protestaram. Um deles, João Barbará, vice da Firjan, disse que só há ágio no valor das obras porque os governos sempre atrasam pagamentos. No entanto, mais do que justificar sua conduta, os empreiteiros decidiram ir à luta. Na última semana, compraram, por R$ 60 mil, espaço na imprensa do Rio de Janeiro para atacar a postura de Jereissati. ?O ex-governador foi grosseiro e descortês com um segmento da atividade econômica. Talvez fosse mais sincero deixar claro que as PPPs enquadram-se em cenário de disputa política e que não convém à oposição o crescimento acelerado do País até lá?, informou a nota.

Quem articulou o contra-ataque a Tasso foi o empresário Luís Fernando Santos Reis, presidente do Sinicon, sindicato da construção pesada. ?Ele não pode agredir o nosso setor e paralisar o País?, disse Reis à DINHEIRO. O construtor apontou ainda uma contradição do senador, que é contra as PPPs do governo federal, mas se cala diante dos projetos em andamento em Minas e São Paulo, Estados governados pelo PSDB. ?É tudo picuinha política?, afirma. Desde o início do governo Lula, o volume de investimentos em infra-estrutura vem sendo mantido no rés-do-chão. Guido Mantega, ministro do Planejamento, aposta que as PPPs poderão gerar gastos de US$ 10 bilhões por ano. A Associação Brasileira das Indústrias de Base aponta que o atraso na votação do projeto estaria represando obras de R$ 13 bilhões. ?O projeto é benéfico para os investidores?, afirma Martin Glogowsky, diretor do fundo de pensão da Cesp, principal empresa de energia de São Paulo. Tasso Jereissati alega que há poucas garantias contra a corrupção. No entanto, até a semana passada, ele era um inimigo só do PT. Agora, converteu-se em adversário dos empresários. E não respondeu aos empreiteiros.

R$ 13 bilhões é o custo do atraso da votação segundo a Abdid